Na busca de soluções para a crise econômica por que passamos, há quem traga como proposta a necessidade de o governo adotar políticas Keynesianas a fim de promover a criação de empregos e tirar a economia da estagnação em que se encontra.
Sem a pretensão de uma verdadeira imersão no tema, é interessante abordar tal proposta a partir de um retrospecto de suas nascentes.

Da euforia ...
Na década de 20 do século passado, a euforia dominava o mercado dos EUA, fruto do aumento no consumo que fazia com que indústrias também aumentassem cada vez mais sua produção.

... ao glamour ...
Daí que milhares de pessoas passaram a investir em ações destas empresas, que se valorizavam de forma descomunal, fazendo com que ganhassem pequenas fortunas.

... e a miséria.
Porém, em determinado momento já não havia mais mercado para produção tão extensa levando inúmeras industrias a fechar as portas por não conseguirem vender suas produções.

Estoura a bolha...
Milhares de investidores tentam se desfazer de suas ações, mas já ninguém as compra. Era o estouro da bolha especulativa que levou à quebra da bolsa de valores em agosto de 1029.

... as fortunas se esvaem ...
Gente que antes vivia no luxo, de uma hora para outra não tinha nem o que comer. As falências se sucedem e o desemprego se alastra criando um círculo vicioso.

... e a crise contagia os demais
Países que exportavam para os EUA sofrem com estoques abarrotados, já que os americanos estavam importando menos e o mundo encara um momento de crise sistêmica.

O novo papel do Estado
Em meio a esse período de depressão, o economista inglês John Maynard Keynes fez proposições que contrariavam o liberalismo, defendendo uma teoria intervencionista por parte do Estado.

... como promotor da economia
Ele postulava que o governo aumentasse seus gastos, à custa de endividamento, gerando demanda e ocupando a planta produtiva ociosa, que passaria a gerar empregos, retomando o consumo privado e os investimentos.

Adoção ...
Tal política, especialmente após a 2ª Grande Guerra, foi adotada em vários países e, de certa forma, foi exitosa em recompor as economias devastadas pela guerra.

... e abandono
Mas elevou demasiadamente a dívida pública e acabou por acelerar o processo inflacionário, precisando ser abandonada em favor de uma política monetária e controle fiscal.

Brasil: dominância fiscal
Quando a dívida pública atinge patamares elevados como a nossa, entramos em regime de dominância fiscal, que significa dizer que não haverá espaço para mais endividamento.

... baixa propensão a consumir ...
Do lado do consumo privado, temos uma população também muito endividada, com inadimplência elevada e temerosa de dias piores, o que inibe ainda mais o consumo.

... e a investir ...
Quanto aos investimentos, nossos principais investidores domésticos, empreiteiras, fundos de pensão e Petrobras, estão descapitalizados e envolvidos em investigações gravíssimas.

... não deixa espaço para aventuras
Nas condições reinantes em nossa economia postulo exatamente o contrário: limitação dos gastos públicos e reformas que levem ao equilíbrio fiscal e permitam a criação de um ambiente propício ao empreendedorismo. Pense nisso.

Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.

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