A UTFPR-LD esteve presente nesta semana passada (8 a 10) na 1º CIALP (Conferência Internacional de Ambiente em Língua Portuguesa), em Aveiro-Portugal, apresentando os resultados de pesquisas realizadas por alunos e professores que buscam valorar economicamente recursos ambientais do Paraná.

O quanto vale aquilo que não tem preço?
Quanto vale a vista do lago Igapó a partir da janela do 7º andar de seu apartamento? Ou um passeio no jardim botânico, ou o Bosque para os moradores de seu entorno?

É possível calcular?
Não é fácil responder a estas questões porque não há preço de mercado, mas é possível sim determinar seu valor econômico a partir de algumas técnicas.

É necessário calcular...
Tenho escrito aqui da necessidade que Londrina, e de resto, todo o Paraná, tem de se industrializar, mas por meio de empresas de base tecnológica e baixa utilização de recursos naturais.

...para poder decidir.
Cada nova empresa trará impactos e é necessário precificar este impacto, tendo como uma das premissas o valor econômico daquilo que estamos perdendo em troca daquilo que estamos ganhando.

A valoração econômica de RAs
Calcular o valor de um RA (Recurso Ambiental) exige técnicas específicas e ter profissionais capazes de fazê-lo é de fundamental importância para o desenvolvimento sustentável de nossa economia. Talvez resida aí o maior mérito dos trabalhos apresentados.

O Parque Estadual do Guartelá
Uma das pesquisas, levadas a cabo pela mestranda Adriana Xavier e o graduando Pedro Barbosa, ambos de engenharia ambiental, e integrantes do NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas), teve por propósito identificar o valor econômico do Parque Estadual do Guartelá sob a ótica de sua utilização hedônica e lúdica.

Situado na Escarpa Devoniana
O parque está inserido na APA (Área de Proteção Ambiental) da Escarpa Devoniana, que separa o 1º e o 2º planaltos do Paraná e esta área sofre ameaça de redução de sua abrangência, colocando em risco um patrimônio ímpar.

Criado em 1992 e implantado em 1997
O Parque Estadual do Guartelá foi criado pelo Decreto Estadual n° 1.229 em 1992, abrangendo toda a extensão do cânion do rio Iapó, e definitivamente implantado em 1997, tendo sua área ampliada para 799 há.

Ainda desconhecido para a maioria
Pouco conhecido e visitado por nós, paranaenses, esta área é maravilhosa tanto pelo interesse arqueológico, histórico-cultural, como pela beleza cênica e sua ecologia.

E seu valor econômico?
Assim como não se valora uma vida humana, também não se valora um recurso ambiental, mas sim os benefícios que ele nos traz sob algum aspecto. Neste caso, a valoração utilizou uma técnica conhecida como ‘custo de viagem’ e mensurou seu valor sob o aspecto de diversão e entretenimento.

E chegou a 1,7 bi ao ano
Somente sob esse aspecto e considerando unicamente os visitantes paranaenses, o Parque Estadual do Guartelá foi valorado em R$ 1.695 milhões por ano.

Quem não mede não gerencia
Que mais trabalhos dessa natureza possam ser realizados com frequência e possam nos ajudar a tomar decisões melhores quando recursos ambientais estiverem em jogo.

MARCOS J. G. RAMBALDUCCI, economista, é professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.

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