O BC atua para controlar a volatilidade do dólar
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de julho de 2018
por Marcos Rambalducci 
O dólar fechou em alta de 0,56%, cotado a R$ 3,8773 na venda (29/06), último dia do primeiro semestre. E o Banco Central tem atuado para manter sob algum controle a desvalorização do real frente ao dólar. Como e porque o BC procura dar esta estabilidade é o que aborda a coluna de hoje.
Inflação e aumento na taxa de juros
Embora possa parecer a muitos que a desvalorização do real não o afeta diretamente, isto é um equívoco, porque com o dólar custando mais, provocará perda de seu poder de compra e elevação no custo do crédito.
... pelo aumento do custo dos insumos
Isso porque os exportadores receberão mais por seus produtos (soja por exemplo) e a indústria nacional precisará pagar esse preço se quiser ter soja para transformar em óleo. Também os produtos importados passarão a custar mais em reais.
... e necessidade de controlar a inflação
Elevação no preço dos insumos provocará aumento do preço ao consumidor final, exigindo que o governo aumente a taxa de juros, buscando conter a inflação.
Preocupe-se sim, com a taxa de câmbio
O resultado nos aflige diretamente, tanto porque nos tira poder de compra, inibe o consumo por crédito caro e redundará em menor atividade econômica e queda na oferta de empregos.
O regime cambial brasileiro
Nós utilizamos um regime de câmbio conhecido como flutuação suja, no qual o preço do dólar varia de acordo com as leis de mercado (oferta e demanda), mas, existindo fortes oscilações, o Banco Central intervém, procurando minimizar esta volatilidade.
Instrumentos de controle cambial
Para tentar controlar grandes oscilações no preço do dólar o governo tem lançado mão dos seguintes expedientes: a venda de swaps cambiais, leilões de linha e venda direta de dólares no mercado.
Swaps cambiais...
Do inglês swap significa troca. Swaps cambiais são, portanto, contratos para troca de riscos de uma variação brusca do dólar.
... são contratos de venda de dólares...
O BC oferece um contrato de venda de dólares, com prazo definido. No vencimento, quem o comprou paga uma taxa de juros sobre seu valor e recebe do BC a variação do dólar no mesmo período.
... em que não existem dólares...
Na verdade, não houve troca de dólares, mas serviu para dar proteção a quem que têm dívida em dólar, pois, diante de uma elevação, quem comprou swaps cambiais, receberia a variação do dólar compensando a perda.
... mas tiram a pressão sobre ele
Se o sujeito está com o preço do dólar protegido, não há porque ter pressa em comprá-lo, e assim tira a pressão de alta decorrente de muita gente querendo comprá-lo.
Os leilões de linha, por sua vez...
São a venda de moeda norte-americana no mercado à vista, com recursos das reservas internacionais brasileiras, mas que têm de ser devolvidos ao Banco Central nos meses seguintes.
Já a venda direta...
É isso mesmo. Significa a venda de dólares no mercado à vista usando as reservas internacionais. O BC não gosta muito de utilizar deste instrumento, pois significa queda das reservas cambiais que são consideradas importantes para evitar uma desconfiança maior.
Importante que o BC esteja atento
A manutenção da estabilidade na taxa de câmbio significa em última instância a garantia de que a economia terá um caminho menos turbulento a enfrentar, melhorando as chances de mantermos poder de compra, juros baixos e crescimento no emprego.
Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.


