Em suas "Memórias de um Intelectual Comunista", o saudoso Leandro Konder, referindo-se a Milton Temer, afirma que o querido amigo é portador de uma juventude que cresce com o tempo e, paradoxalmente, necessita de tempo para amadurecer. A vontade incessante de influir positivamente na vida brasileira torna Milton Temer um eterno jovem. O passar dos anos, em vez de caducar suas utopias, transforma-as em algo cada vez mais radiante e generoso. A maturidade, tanto em Temer quanto em Konder, é sinônimo de perene jovialidade.

Em geral, a ideia de juventude aparece ao lado de noções bastante abstratas, como aquelas que lhe conferem disposição ou insensatez. De modo confuso, essas mesmas impressões sobre o que é ser jovem garantem que fundamental é envelhecer sem perder a chama do tempo pretérito, quando tudo era possível. Na vida, portanto, é preciso manter vivo o "espírito jovem".

Apesar da aparente contradição que as determina, as expressões "juventude" e "maturidade" não são, necessariamente, incompatíveis. É desejável e urgente que ideias prudentes e ações consequentes se façam acompanhar da rebeldia da mocidade. A sobrevivência das utopias, no sentido mais humano e abrangente que o termo possa carregar, exige experiência e frescor, reflexividade e impetuosidade. É nesse movimento de convivência entre supostos contrários que o novo aguarda e luta por oportunidades.

Não é incomum que muitas peles jovens camuflem espíritos envelhecidos, desgastados pela desesperança num modelo de sociabilidade indiferente a sonhos insurgentes e estilos de vida que almejem alguma coisa além dos padrões e convenções. E é sempre uma agradável surpresa perceber que corpos maduros, cheios de história, queiram permanecer aptos a participar do mundo da vida, com energia e certeza de poder oferecer equilíbrios radicais à experiência cotidiana. Esse descompasso que neutraliza análises simplistas da realidade é um desafio ao pensamento e, também, à conduta social.

O aprendizado, na tenra ou na vetusta existência, não prescinde de abertura para o novo. Conhecer significa, antes de tudo, desconstruir a realidade objetiva e reelaborar diariamente a subjetividade. O impacto da vida de cada um e de todos deve fornecer matéria-prima para o fortalecimento das convicções. São elas, as convicções (as humanas paixões encobertas por normas e pressões), que movem os indivíduos e lhes dão ímpeto. Mas elas também podem enganar, enrijecer, botar fora de lugar ideias e, portanto, ações. É por essa razão que as convicções não podem envelhecer sem carregar dentro de si um certo "espírito de juventude". A jovialidade das ideias é a garantia de que as paixões que movimentam os humanos não serão, de determinado momento em diante, preconceituosas e conservadoras além da conta.

Ao afirmar que o grande companheiro Milton Temer é um jovem teimoso, que não quer envelhecer, Leandro Konder rasga-lhe um imenso elogio. Manter a juventude contra todas as tendências do mundo em apagar sonhos e empolar ideias e emoções é tarefa que só espíritos rebeldes podem assumir. Nada amadurece mais um ser humano que sabe sonhar do que a maturidade das lutas que ele trava na vida.

Marco A. Rossi é sociólogo e professor da UEL
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