Votos para o prefeito

O pioneiro Eugênio Victor Larionoff, morador da legendária Casa Sete, conta em um artigo memorialístico que certa vez, em meados dos anos 30, passou uma noite inteira em prontidão, armado de fuzil, guardando uma das entradas de Londrina. Naquela semana correra entre os moradores locais a notícia de que um grupo de posseiros iria invadir a cidade. O texto de Larionoff, intitulado "Como uma traça de livros salvou Londrina", é um precioso documento histórico da colonização de nossa cidade.
Todos nós que amamos Londrina com a força do coração guardamos um parentesco com aquele pioneiro russo. Nós também somos vigilantes da cidade, de olhos abertos para protegê-la contra invasores e aproveitadores.
No primeiro dia de 2017, tomou posse o primeiro prefeito de Londrina nascido na cidade. Marcelo Belinati está realizando o sonho de sua vida, e a cidade espera, vigilante, que o seu mandato se torne o sonho de todo o povo londrinense.
Dias antes da posse tive uma breve conversa com Marcelo Belinati. Conheço-o há mais de 25 anos, dos tempos da República da Humaitá, quando éramos estudantes da UEL. Marcelo sabe que pertencemos a tribos políticas diferentes, mas temos relações cordiais e compartilhamos um amor sincero e intenso pela cidade que nos deu tudo.
Não quero aqui entrar em pormenores sobre as escolhas políticas do novo prefeito. Em pelo menos duas decisões recentes, eu o critiquei, e voltarei às críticas quando considerar necessário. Sei que sou um zé-ninguém, mas mesmo o zé-ninguém deve respeitar a estrutura da realidade. E o verdadeiro amigo, Marcelo, é aquele que várias vezes diz não. Para dizer apenas sim já existem muitos.
Gostei do que o Marcelo falou no discurso de posse. Quando se prega a união em Londrina, não se está fazendo referência a um simples ajuntamento de forças, nem ao abandono de ideais em troca do pragmatismo. A união é um valor positivo, o código genético da própria cidade de Londrina. Para realizar este sonho no meio do sertão, foi necessária a milagrosa união de pessoas que vieram dos quatro cantos do planeta, falando línguas diferentes, trazendo culturas diferentes, tendo visões de mundo diferentes. Essa foi a união da verdade, não da conveniência.
Quando falamos em união, estamos defendendo a criação de uma sociedade da confiança, que é o oposto da sociedade fraturada pela luta de classes, a sociedade comunista, a sociedade tutelada, a sociedade da desconfiança. Foi na união que o povo de Londrina votou quando lhe deu 130 mil votos, Marcelo, e 93 mil votos a outro londrinense admirável e trabalhador, meu amigo Valter Orsi.
Ao escolher homens notáveis como Moacir Sgarioni e Luiz Carlos Adati para cargos-chave na administração municipal, Marcelo, você emitiu sinais claros de que sonha em construir uma sociedade da confiança. Precisamos de reformas profundas, e você sabe disso. A cidade espera que o prefeito Marcelo dê uma nova acepção ao sobrenome Belinati. Não votei em você, mas estes são os meus sinceros votos.
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