Vitória sobre o egoísmo
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de julho de 2016
por Paulo Briguet 

As impressionantes imagens do papa Francisco em Auschwitz, na Polônia, me fizeram lembrar outro padre católico que morreu naquele campo de concentração: o franciscano polonês Maximiliano Maria Kolbe (1894-1941).
Kolbe abraçou a vida religiosa ainda na infância, quando teve uma visão de Nossa Senhora a lhe oferecer duas coroas: uma branca e uma vermelha. A branca significava a vida de castidade; a vermelha, o martírio. O menino escolheu as duas e, com elas, seu destino.
Ainda muito jovem, em 1917, ano da Revolução Russa e da Aparição de Fátima, Kolbe fundou uma associação apostólica consagrada a Nossa Senhora. Tinha pouquíssimos recursos e chegou a passar uma temporada numa clínica para se tratar de tuberculose. Mas encontrou forças e coragem para iniciar a construção da Niepokalanów, a Cidade de Maria, que existe até hoje, perto de Varsóvia. Criou também o jornal "Cavaleiro da Imaculada", que chegou à impressionante tiragem de 1 milhão de exemplares. Durante algum tempo, viveu em Nagasaki, no Japão, onde também fundou uma Cidade de Maria, chamada Mugenzai-no-sono (Jardim da Imaculada, em japonês). Este lugar ficou milagrosamente protegido da explosão da bomba atômica lançada pelos americanos em 1945.
Em 1941, a Gestapo invadiu Niepokalanów e prendeu o padre Maximiliano. Ele foi conduzido ao campo de concentração de Auschwitz. Em julho daquele ano, um prisioneiro fugiu do campo. Segundo a regra dos nazistas, para cada fugitivo de Auschwitz, dez prisioneiros deveriam morrer, escolhidos por sorteio. Os escolhidos ficavam presos na escuridão de um bunker, sem comer nem beber, até a morte.
Um dos dez prisioneiros escolhidos para morrer chorava amargamente: Franciscek Gajowniczek, um operário e pai de família polonês. Foi quando o padre Maximiliano se ofereceu para ser trocado e morrer no lugar dele. "Sou sacerdote", disse ele aos guardas do campo. A troca foi feita.
Durante as duas semanas em que permaneceu preso no bunker, Maximiliano rezava e cantava junto com os nove companheiros de martírio. Seu objetivo era claramente salvá-los para a vida eterna. Em 14 de agosto de 1941, um dia antes da festa da Assunção de Maria, Maximiliano continuava vivo. Os nazistas resolveram matá-lo com uma injeção de ácido carbólico. Consta que ele ofereceu o braço ao guarda que lhe aplicou o veneno.
Quarenta e um anos depois, em 1982, Maximiliano Kolbe foi canonizado pelo seu conterrâneo João
Paulo II em cerimônia no Vaticano. Um dos presentes era Franciscek Gajowniczek, o homem que o santo salvou.
O exemplo de Maximiliano Kolbe é um antídoto para uma das piores doenças contemporâneas: o egoísmo um câncer que toma conta não apenas de pessoas, mas também de comunidades, partidos, governos, religiões e correntes ideológicas. Foi nisso que pensei quando vi a imagem do papa Francisco rezando em silêncio na cela em que morreu São Maximiliano Kolbe.
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