Imagem ilustrativa da imagem Verde que te quero verde
| Foto: Nelson Almeida/AFP



Peço licença aos sete leitores da Avenida Paraná para falar de um tema que editorialmente deveria estar circunscrito ao caderno de Esportes: o Palmeiras, campeão brasileiro de 2016. Tratarei do assunto não apenas porque o alviverde paulistano tem milhares de torcedores em nossa cidade e região, mas pelo fato de que o velho Palestra está profundamente ligado à história de muitas de nossas vidas, sejamos ou não palmeirenses.

Em 15 de abril de 1978, assisti ao meu primeiro jogo do Palmeiras no estádio. Naquele dia, o Verdão bateu o Ceará por 4 a 0, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Um dos gols foi marcado por Nei (que fora aluno de minha mãe). Lembro-me exatamente do lugar da arquibancada em que eu, meu pai e o Vô Briguet (que era corintiano) assistimos ao jogo no Estádio Paulo Machado de Carvalho, também conhecido como Pacaembu. Naquele dia, meu pai comprou para mim uma pequena bandeira do Palestra, e a torcida já havia assumido todo orgulho a alcunha anteriormente pejorativa: "Pooorco, pooorco, pooorco!"

Comecei a me interessar por futebol aos sete anos de idade, sendo que o Palmeiras havia sido campeão no ano anterior (1976). Portanto, tive que esperar longos 17 anos para ver o meu time campeão. Acompanhei aquele maravilhoso time de Evair, Edmundo, Edilson e Zinho bater o Corinthians por 4 a 0 (3 a 0 no tempo normal) faturando o Campeonato Paulista de 1993. Eu e Fernando Brevilheri (hoje competente diretor de jornalismo), meu companheiro da República, pulávamos como loucos na pracinha da Rua Humaitá.

Vi o primeiro título brasileiro do Palmeiras (após 20 anos de jejum) na casa do meu amigo Ernesto Zanon em Sorocaba (também um grande jornalista). Corintiano roxo, Bornas (apelido em referência ao ator Ernest Borgnine) tirava sarro dos palmeirenses "ensinando-nos" a comemorar o título após tanto tempo.

Minha última grande emoção com o Palmeiras foi em 1999, na conquista da sonhada Taça Libertadores da América, em uma disputa de pênaltis heroica no antigo Parque Antarctica. Assisti ao jogo no primeiro endereço do Bar Madalena, na Belo Horizonte. Depois perdemos o título mundial para o Manchester, em Tóquio. Vida de palmeirense não é fácil!
Agora veio essa linda equipe liderada pelo Cuca, um bando de heróis: o craque Gabriel Jesus (camisa 33); o guerreiro Dudu; os goleiros-ídolos Fernando Prass e Jailson; e o inacreditável Zé Roberto, 42 anos de idade, o mais velho jogador a conquistar em campo o título de campeão brasileiro. Foi lindo, foi inesquecível ver 40 mil pessoas chorando de alegria na arena alviverde.
Lembrei-me dos versos de Federico Garcia Lorca em seu "Romance Sonâmbulo": "Verde que te quero verde./ Verde vento. Verdes ramas./ O barco vai sobre o mar/ e o cavalo na montanha".
Com a licença de Nelson Sargento e Cartola, eu digo: — O Palmeiras não existe; deve ser um sonho verde que a gente teve.

Fale com o colunista: [email protected]

mockup