Imagem ilustrativa da imagem Venezuela, um campo de extermínio
| Foto: Shutterstock


1. Você sabe qual a diferença entre um país livre e um país socialista? No país livre, todo mundo quer entrar; do país socialista, todo mundo quer fugir. Socialismo, como venho dizendo há muito tempo, é o nome moderno da escravidão. Daqui a cem anos, essas pessoas que hoje defendem a ditadura na Venezuela serão vistas como aqueles que rejeitavam o abolicionismo no final do século XIX. A história não os absolverá.

2. No excelente "História Concisa da Revolução Russa", o historiador Richard Pipes descreve Lênin como "um general em guerra contra seu próprio povo". Creio que poucas vezes foi tão bem definido o espírito socialista. Desde 1917, não houve uma única experiência marxista de governo que não tenha resultado em opressão sanguinária, corrupção generalizada, censura implacável, miséria, fome e assassinato. Com mais de 100 milhões de mortes, o comunismo é o maior genocídio na história da humanidade.

3. O que está acontecendo agora na Venezuela tem precedentes históricos. Citarei aqui três exemplos em que a fome foi uma arma utilizada pelos comunistas no poder. Entre 1958 e 1962, Mao Tsé-tung mergulhou a China em um experimento coletivista denominado "Grande Salto para a Frente". Na verdade, foi um grande salto para o abismo, causando a morte de pelo menos 45 milhões de chineses - vitimados pela fome, exaustão e execuções sumárias. Entre 1932 e 1933, ocorreu o Holodomor, também conhecido como Holocausto Ucraniano. Para combater camponeses que se negavam a entregar toda sua produção para o governo, Stálin fechou as fronteiras da Ucrânia, transformando-a num grande campo de morte, onde as pessoas pereciam nas ruas e os corpos insepultos eram muitas vezes canibalizados. Até hoje não se sabe quantos ucranianos morreram, mas certamente não foram menos de 5 milhões. Em 1975, depois da retirada das forças americanas do vizinho Vietnã, Pol Pot tomou o poder no Cambodja e determinou o esvaziamento de todas as cidades, com a população sendo obrigada a trabalhar em fazendas coletivas. Pelo menos 900 mil pessoas morreram em apenas um ano.

4. Quando vejo líderes esquerdistas brasileiros defendendo o regime de Nicolás Maduro e dizendo que a ajuda humanitária é uma "armadilha" para a Venezuela, lembro-me dos magnatas do Kremlin, que tinham um discurso muito semelhante à época do Holodomor. Em 1933, a Rússia rejeitou qualquer ajuda humanitária de outros países - inclusive a do Vaticano - e qualificou os relatos da fome ucraniana como "invenção do imperialismo". Os magnatas da esquerda brasileira fazem com a Venezuela a mesma coisa que os russos soviéticos fizeram com a Ucrânia: foram cúmplices da ditadura, hoje são cúmplices do genocídio.

5. Culpar a oposição venezuelana pelo que está acontecendo agora equivale a culpar os judeus pelas atrocidades nos campos de extermínio nazistas. A Venezuela hoje é um Auschwitz a céu aberto. Se nos calarmos, até as pedras gritarão contra nós.

Fale com o colunista: [email protected]

mockup