Universidade em transe
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
por Paulo Briguet 

A universidade pública está em transe. A UEL, atualmente "ocupada" por uma minoria de radicais, é um triste exemplo. Parte do campus em que o saudoso João Sperandio plantou árvores e cultivou flores transformou-se, nos últimos meses, numa terra de ninguém, num jardim das aflições dominado pela extrema-esquerda.
Felizmente, os bons professores, alunos e funcionários que são a maioria na instituição começam a reagir.
Na última terça-feira, quando a professora Deise Ely chegou ao trabalho no Departamento de Geociências da UEL, a porta de sua sala estava pichada com a palavra "fascista". O laboratório de Climatologia, que ela ajudou a montar, também tinha pichações. Além disso, no mesmo dia 30 fechaduras dos departamentos de Geociências e Ciências da Computação foram danificadas com durepox, causando um prejuízo de R$ 2 mil. Detalhe é que o laboratório havia recebido nova pintura há cerca de um mês, após um ano e meio de espera por recursos.
Professora de Climatologia há 19 anos, com pós-doutorado na França e nos Estados Unidos, Deise Ely nunca se sentiu tão desrespeitada em seu ambiente de trabalho. Na quarta-feira, ela protocolou um pedido de providências na Reitoria da UEL, exigindo a identificação e punição dos responsáveis pelo vandalismo. "Fui chamada de fascista, o que uma ofensa terrível, apenas porque eu meu carro tinha o adesivo de um candidato conservador", afirma a docente. "Em minhas aulas, falo apenas de Climatologia, nunca mencionei minhas preferências políticas, nunca fiz nenhum tipo de campanha. Estou me sentindo intimidada. Alguns colegas e alunos, solidários, temem por minha segurança."
Os estudantes do curso de Medicina, reunidos em assembleia na quarta-feira, manifestaram sua posição contrária à greve dos estudantes e à suspensão do calendário acadêmico. Além de prejudicar os estudantes, a paralisação afeta o atendimento da população pobre no Hospital Universitário. Em seu blog, o psiquiatra e professor Marcos Liboni conclama a categoria estudantil a ocupar o HU "com amor, carinho e a dedicação que a nossa universidade merece". A exemplo de muitos colegas docentes, Liboni é contrário à greve.
Galdino Andrade, professor-doutor do Departamento de Microbiologia, com quase 30 anos de UEL, a quem conheci nos movimentos grevistas dos anos 90, tece duras críticas à atual postura dos estudantes radicais: "Hoje o movimento dos estudantes é mera marionete dos partidos de esquerda, que controlam os sindicatos e fazem a política do quanto pior, melhor". O professor lamenta a manipulação ideológica dos jovens: "Infelizmente, uma minoria de estudantes adota o discurso socialista sem saber ao certo que essa ideologia só gerou miséria, opressão e morte".
A maioria está reagindo. É fundamental que a atual administração universitária tome atitudes para devolver a UEL a quem ela de fato pertence: a comunidade.
Fale com o colunista: [email protected]


