Uma história de Páscoa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de março de 2018
por Paulo Briguet 

Páscoa quer dizer passagem. A maior festa cristã nos ensina que depois da vida existe a ressurreição e isso vale para todas as pequenas mortes e ressurreições que acontecem diariamente. Hoje eu gostaria de falar sobre uma pequena Páscoa que tocou meu coração. A Páscoa da pequena Ana Liz.
Os pais de Ana Liz moram em Londres. Aos sete meses de gestação, os médicos ingleses descobriram que o bebê estava com hidrocefalia doença que leva ao acúmulo de líquido no crânio. Após o diagnóstico, deram aos pais duas opções: o aborto ou o parto normal com 42 semanas de gestação. Na primeira, a certeza da morte; na segunda, a certeza de sequelas irreversíveis na criança.
Mas os pais da Ana Liz não queriam a morte da filha tão esperada. Thalita, a mãe, lembrou-se então de sua terra natal, o Norte do Paraná. Viajou para o Brasil em busca da esperança e do amparo que os médicos da Inglaterra país onde morreu o pequeno Charlie se negavam a dar.
Em Londrina, Thalita e Ana Liz foram acolhidas pela equipe do Hospital Evangélico. O neurocirurgião Carlos Zicareli e a obstetra Lilian Vacari decidiram realizar o parto com 37 semanas de gestação e, logo em seguida, um procedimento microcirúrgico para instalar uma válvula e aliviar o sofrimento do bebê.
Deu tudo certo. Duas semanas após o parto, Thalita e Alexandre, os pais de Ana Liz, vivem a alegria de carregar a filha no colo uma criança linda e saudável. Um momento que parecia impossível até alguns dias atrás. "Resolvemos compartilhar nossa história para poder ajudar as pessoas a lembrar que sempre existe uma saída", disse a mãe, em entrevista à repórter Micaela Orikasa, da FOLHA.
A história de Ana Liz realiza plenamente o sentido da Páscoa cristã. Assim como Jesus passou dos sofrimentos inomináveis da Sexta-Feira da Paixão para a alegria sem fim do Domingo Pascal, essa pequena família atravessou a escuridão do desespero e encontrou a luz da vida nova no espaço de poucos dias. A morte sem sentido foi trocada pela presença total. "Eis que estou convosco todos os dias, até o final do mundo." (Mt 28, 20)
Sinto-me feliz e orgulhoso pelo fato de que os pais de Ana Liz reencontraram a esperança aqui em nossa jovem e bela cidade. A Filha de Londres revelou mais uma vez aquela face humana e amorosa que, infelizmente, alguns procuram negar e ocultar. Aqui nós sabemos: o amor é mais forte que a morte.
Seja feliz, Ana Liz. E que todos nós guardemos dentro do coração a esperança de fazer a passagem da morte para a vida em qualquer circunstância, até o fim.
Tenham todos uma feliz e santa Páscoa.
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