Uma doença que se chama covardia
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terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Paulo Briguet 

Minha amiga Ludmila Lins Grilo é juíza de direito e, no exercício de sua função pública, foi muitas vezes ameaçada por criminosos. Certa ocasião, traficantes lhe enviaram um desenho para que ela soubesse o tamanho da bala de fuzil com que pretendiam matá-la. Esse é apenas um exemplo do que acontece quando se enfrenta o crime organizado. Nunca é demais lembrar que vivemos no país campeão mundial de homicídios, que até outro dia era governado por uma organização criminosa.
Mas a Dra. Ludmila não se intimida. "Eu ficaria preocupada no dia em que os bandidos começassem a gostar de mim", disse-me a juíza. O caso de Ludmila se assemelha ao daqueles que trabalham em operações como a Lava Jato (que recentemente prendeu o ex-governador Beto Richa). Imagine quantas ameaças foram feitas a Sérgio Moro e sua equipe; ao presidente Jair Bolsonaro e sua família; ao professor Olavo de Carvalho e seus alunos. Eles saíram reclamando e se fazendo de vítimas? Você sabe a resposta.
A covardia não é uma opção para o verdadeiro servidor público, para o verdadeiro intelectual, para o verdadeiro jornalista: pelo contrário, ameaças e pressões sinalizam que se está indo pelo caminho certo. O filósofo tcheco Jan Patocka (1907-1977) dizia que na vida só vale aquilo que você defenderia até a morte. Não era uma frase para causar impressão: de fato, Patocka morreu defendendo a sua liberdade, após um interrogatório de 11 horas da polícia secreta comunista. Em sentido muito semelhante, o filósofo espanhol Ortega y Gasset escreveu que as únicas ideias que importam são as ideias do náufrago, aquelas que você defenderia até mesmo se afundando no meio do mar. Todo o cristianismo, fundamento da nossa civilização, é baseado na disposição para o sacrifício, como atestam as palavras de Jesus: "Quem quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, irá salvá-la". (Lc 9, 24)
Após muitos anos, cheguei à conclusão que a ideologia esquerdista não é simplesmente um sistema de mentiras, mas uma doença mental. E um dos principais sintomas dessa doença é a covardia, sob a forma de vitimização. Todos os dias são feitas ameaças de agressão e assassinato no Brasil; chegamos ao extremo de ter um candidato presidencial esfaqueado depois de um bombardeio de incitações ao crime feitas pela internet. Mas, para os militantes esquerdistas, que querem a todo custo criar uma ditadura de mentirinha, só valem as ameaças feitas a... militantes esquerdistas!
O efeito mais nocivo da vitimização ideológica é tornar desamparadas as vítimas reais (como, por exemplo, as vítimas de Brumadinho). A falsa vítima age apenas para encaixar-se numa narrativa cujo fundamento nunca é a busca da verdade, mas sempre a disputa pelo poder. E não podemos esquecer que a estratégia dos radicais tem uma face sombria: se for necessário matar alguém para que a narrativa ganhe verossimilhança, essa morte acontecerá. Lembrai-vos de Celso Daniel.
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