Uma cidade para nascer
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terça-feira, 13 de junho de 2017
por Paulo Briguet 
Na semana passada, quase engasguei com o café ao ler a notícia na página 3 da Folha de Londrina. Uma nota na coluna Informe FL dizia que este cronista de sete leitores será agraciado com o título de Cidadão Honorário de Londrina. Fiquei muito emocionado com a surpresa e imediatamente pensei nas duas pessoas que iriam vibrar com a honraria: meu pai e minha mãe. Fechei os olhos e imaginei os seus sorrisos de contentamento, e amor, e saudade.
A certidão de nascimento informa que nasci na cidade de São Paulo, em 10 de julho de 1970. Segundo contava Aracy, vim ao mundo numa sexta-feira, por volta das 19 horas, no Hospital São Camilo.
Ali minha irmã Fernanda nasceria alguns anos depois, bem no dia da geada que encerrou o ciclo da cafeicultura em Londrina. Essas coisas não acontecem por acaso: Londrina estava em nossas vidas desde sempre.
Ninguém escolhe a cidade em que vai nascer. Podemos, no máximo, escolher uma cidade para viver. Desde que pus os pés pela primeira vez em Londrina, há 30 anos, no vestibular de inverno de 1987, alguma coisa me impelia a permanecer aqui eternamente. Apaixonei-me pela cidade desde o primeiro instante, e nunca, nem por um minuto, me senti um forasteiro.

Existem centenas de cidadãos muito mais merecedores do título do que eu. Neste final de semana, encontrei na festa junina da paróquia um deles: o arquiteto João Baptista Bortolotti. Receber o cumprimento sincero do Bortolotti por um título do qual ele é sobejamente merecedor constitui uma enorme honra, uma grave responsabilidade. Preciso me comportar à altura do que a cidadania deste lugar amado representa.
Surpreende-me que a aprovação do título tenha sido unânime entre os vereadores. Como bem sabem os meus sete leitores, não estou acostumado à unanimidade, nem a procuro. Agradeço de coração aos vereadores que me deram esse voto de confiança, e também ao prefeito Marcelo Belinati, que sancionou o projeto. O título não diminui, antes multiplica, o meu senso de responsabilidade e independência ante os poderes públicos.
Grande parte da honraria deve ser atribuída à credibilidade das instituições em que atuei ou atuo, especialmente a Folha de Londrina, a Acil e a Academia de Letras de Londrina. Outro fator que contribuiu para o título foram as lições aprendidas com mestres como Olavo de Carvalho, Ricardo Vélez Rodríguez, Domingos Pellegrini e meu querido dom Albano Cavallin.
Ainda não foi definida uma data para a entrega do título. Não se preocupem, meus queridos sete leitores: vocês serão convidados. Poderia ser, quem sabe, 21 de agosto, Dia do Pioneiro, que marca a chegada da primeira caravana a Londrina, em 1929. A minha caravana, 60 anos depois, se chamava Expresso Birigui (nunca pensei que sentiria saudade daquelas longas viagens de ônibus, mas sinto). Se não der para ser nessa data, que seja em um desses dias de céu azul que só encontramos por aqui.
Obrigado, Londrina, por me deixar nascer em você. Eu te amo.


