Um palco no coração da cidade
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quinta-feira, 04 de agosto de 2016
por Paulo Briguet 

Desde que o Ouro Verde pegou fogo, o Centro de Londrina estava órfão de palcos. Para diminuir tamanha tristeza, precisávamos de uma ajuda de Mãe. E ela não nos decepcionou: na manhã de hoje, 5 de agosto de 2016, será inaugurado o Teatro Mãe de Deus, no coração da cidade.
Quando as 12 irmãs pioneiras do Colégio Mãe de Deus chegaram a Londrina, oito décadas atrás, não estavam simplesmente fugindo da perseguição nazista: vinham construir uma nova comunidade, que elas chamavam entre si de Mariengarten, o Jardim de Maria. Diante das imensas dificuldades enfrentadas no início que incluíram a barreira do idioma, a fome e a febre amarela , as religiosas alemãs possuíam um lema consolador: "Mater habebit curam". A Mãe cuidará de tudo.
E ela cuidou, ontem e hoje.
O teatro e a música sempre foram marcas de Londrina. Pouca gente sabe, mas a primeira apresentação teatral da história de Londrina foi feita por alunas e professores do Colégio Mãe de Deus, há exatos 80 anos, em 1936. Para realizar o espetáculo, as irmãs alemãs alugaram o Cine Londrina, na verdade um improvisado galpão de madeira que existia na Rua Quintino Bocaiúva.
Uma das atrizes que se apresentaram naquele dia foi a pequena Maria Alice Brugin, aos 8 anos de idade. Na peça "Branca de Neve e os Sete Anões", ela fez o papel da Bruxa. Mas, para ela, o momento mais emocionante foi recitar o poema "A Pátria", de Olavo Bilac:
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
(...)
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!
Na manhã de hoje, Maria Alice Brugin de Arruda Leite, aos 88 anos, estará presente na inauguração do teatro e mais uma vez subirá ao palco para ser aplaudida, juntamente com seus antigos colegas de escola.
Enquanto os olhos do mundo se voltam para as Olimpíadas do Rio, nós aqui em Londrina também vivemos um dia histórico: o dia em que o coração da cidade ganhou um presente para a eternidade.
A coincidência de datas me faz lembrar uma das visitas do padre José Kentenich ao Colégio Mãe de Deus, em setembro de 1948, quando foi lançada a pedra fundamental do Santuário de Schoenstatt a capelinha que hoje está ao lado do novo teatro. Naquele dia, enquanto os olhos do mundo estavam voltados para os acontecimentos políticos na Europa, o padre fundador disse: "Há acontecimentos na vida das pessoas que e dos povos que exteriormente são bem insignificantes, mas que exercem, por séculos, uma influência extraordinariamente profunda. A discreta celebração de hoje faz parte desses acontecimentos".
Certamente, haverá um lugar para o Padre Kentenich e para as 12 irmãs pioneiras no Teatro Mãe de Deus. E esse lugar se chama coração. Se você, amigo leitor, está em dificuldades, não se preocupe: Mater habebit curam.
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