A malícia e o ódio que as pessoas carregam no coração muitas vezes podem ser transformados por Deus em instrumentos do bem. Durante o regime comunista na Romênia, o filósofo Petre Tutea (1902-1991) passou 13 anos na cadeia e mais de 20 anos em prisão domiciliar. Tutea (pronuncia-se "Tsútsea") dava aulas em sua própria casa e ajudou a formar uma brilhante geração de intelectuais em seu país. O detalhe curioso — e aqui entra a ironia de Deus, transformando o mal em bem — é que a Securitate, famigerada polícia secreta comunista, gravava clandestinamente Tutea para espioná-lo. Em parte graças ao Partido Comunista Romeno, a obra não escrita de Petre Tutea ganhou registro perpétuo e pôde ser conhecida pelas novas gerações.

As elites esquerdistas — herdeiras modernas daqueles que aprisionaram Petre Tutea — têm promovido em nosso país e nossa cidade frequentes sessões de ódio coletivo, que fazem lembrar passagens do livro "1984", de George Orwell. Na semana passada, houve uma dessas jornadas de ressentimento aqui em Londrina, em que uma turba lançou uma saraivada de ataques, ofensas e impropérios contra apenas um indivíduo. Amanhã, durante o depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, os coletivos da esquerda prometem transformar Curitiba em um pequeno inferno, como forma de louvor ao Chefe do PT. Não se enganem: essa turma não está em busca de Justiça; eles querem é transformar o Brasil em uma Venezuela e, na mais moderada hipótese, botar na cadeia todos aqueles que ousam criticar o Partidão. Vejo, com muita tristeza, que até alguns fiéis da minha amada Igreja Católica estão entrando nessa jornada de rancor e intolerância. Peço a esses irmãos que, quando eu estiver na cadeia, rezem por mim e me enviem livros (quem sabe eu possa aprender romeno na prisão...).

Imagem ilustrativa da imagem Um milagre para Londrina



Numa das recentes sessões de ódio promovidas em nossa cidade — no caso, as vítimas do ódio eram os nascituros —, um padre amigo teve um gesto de extrema coragem: levou o Santíssimo Sacramento para o local em que havia alta concentração de defensores do aborto. A presença do Corpo de Cristo naquele lugar foi um desses pequenos milagres em que o ódio se transforma em amor e a morte se transforma em vida. Ali tivemos a perfeita realização do que Jesus disse: "Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra" (Lc 6,29). O cristão não deve jamais fugir, mas permanecer na presença do mal, em atitude desafiadora.

Por isso, na semana em que se completa o centenário da aparição de Fátima, ouso pedir a Deus um milagre para Londrina. Que as jornadas de ódio produzam um efeito multiplicador no amor ao próximo e no entendimento da realidade. Dom Albano, Madre Leônia Milito, Dom Geraldo Fernandes, santos e santas do nosso tempo, intercedei por nós!

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