Um encontro com Virgílio Moreira
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Paulo Briguet 

Londrina surpreende. É como diz o meu amigo Samuca: "Aqui parece que sempre alguma coisa boa está para acontecer".
Numa dessas manhãs azuis e quentíssimas, estava fazendo o meu passeio matinal com o Cisco, entre o fim da Avenida Higienópolis e a rotatória da Madre Leônia, quando um senhor me chamou pelo nome.
"Paulo, eu sou um dos seus sete leitores."
"Obrigado! Agora preciso encontrar os outros seis..."
Para minha surpresa, o simpático interlocutor revelou ser Virgílio Moreira, engenheiro civil que trabalhou em grandes obras de nossa cidade e irmão do saudoso ex-prefeito Wilson Moreira.
Dias depois, Virgílio enviou-me por e-mail um texto em que relembra sua primeira visita a Londrina, em 1958, e seu reencontro definitivo com a cidade, anos mais tarde. Compartilho com vocês o relato do meu sétimo leitor:
"Veio à memória o ano de 1958, quando eu, ainda moleque, vim com meu pai fazer a primeira visita a Wilson Moreira em Londrina. Montados em uma Chevrolet (modelo que foi apelidado Marta Rocha, em homenagem à famosa Miss Brasil), saímos de Uberaba, cortamos o Estado de São Paulo, atravessamos o Rio Paranapanema de balsa e pegamos uma estrada de terra toda enlameada e encravada no meio de uma mata bem densa. Da divisa até Londrina foi uma aventura e tanto, com a camionete que encravava no barro e o Moreira com o Jeep nos arrastava, e assim por diante.
O Wilson Moreira morava no prédio da Rádio Londrina, na Praça Getúlio Vargas, onde hoje é o Hotel Crystal. O frio era tanto que tinha que colocar aquecedor no quarto para esquentar o ambiente. Depois de tanta aventura, acabei falando com meu pai que nunca mais voltaria a este lugar.
Mas, para surpresa minha, os anos se passaram, acabei me formando pela Escola de Engenharia do Triângulo Mineiro, fundada pelo célebre escritor Mario Palmério, e vim trabalhar na Usina de Itaipu. Naquela época, Foz do Iguaçu tinha só duas ruas asfaltadas, uma que ia e outra que voltava das Cataratas.
Decorrido algum tempo, vim para Londrina e acabei tocando o maior conjunto de obras públicas da cidade, que foi a infraestrutura dos conjuntos habitacionais da zona norte (Cinco Conjuntos), o conjunto São Lourenço e os projetos Cura (Comunidade Urbana de Recuperação Acelerada) dos bairros: Jardins Leonor, Santa Rita, Santiago e Interlagos.
Londrina acabou me conquistando com seus belíssimos fundos de vale e maravilhosos lagos. Hoje não deixo mais essa cidade que amo de paixão, e onde nasceram meus filhos Camila e Conrado."
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