Imagem ilustrativa da imagem Um ano sem Dom Albano
| Foto: Divulgação



Recebo uma mensagem da amiga e leitora Cleusa Costa. Ela foi o anjo da guarda de nosso amado Dom Albano Cavallin, arcebispo emérito de Londrina, cujo retorno à eternidade completou um ano exatamente no dia de ontem, 31 de janeiro. No e-mail, Cleusa falou sobre aqueles últimos momentos de nosso santo em vida:

"Boa noite, Paulo.
Lembrei-me que li o seu artigo de dezembro, onde você se lembrava de seu pai com tanto carinho. Percebi que com o passar do tempo essa saudade só aumentou. Hoje também estou pensando em Dom Albano; amanhã faz um ano de seu falecimento. Em todo em tempo eu pensei nele, todos os dias.

Naquele dia 31 de janeiro de 2017, internado para fazer a cirurgia no dia seguinte, ele queria rezar as Vésperas da Liturgia das Horas e não podendo, por causa da respiração, pediu-me que rezasse em voz alta para ele ouvir. Um dos Salmos era o 137, de que ele gostava muito. Quantos vezes rezamos juntos esse Salmo, e ele trocava Jerusalém por Londrina. ‘Se de ti, Londrina, algum dia eu me esquecer, que resseque a minha mão. Levamos para ele a Santa Eucaristia, antes de comungar ele rezou e abençoou Londrina. Não é fácil esquecer essas pessoas que foram verdadeiros anjos, colocados por Deus em nossas vidas. Aos pais ‘de sangue’ e aos pais ‘espirituais’, Saudades Eternas.

Com orações a você e toda sua família.
Cleusa."

Assim como Dom Albano não se esqueceu de Londrina nem mesmo na hora da morte, Londrina jamais se esquecerá de Dom Albano. Eu tenho absoluta certeza de que ele continua intercedendo por nós, desde o Céu, ao lado de Madre Leônia, Dom Geraldo Fernandes e tantos outros que ajudaram a escrever a história de nossa cidade.

A preferência de Dom Albano pelo Salmo 137 tem um significado profundo para mim. Trata-se de um salmo do exílio, que evoca a queda de Jerusalém e o exílio do povo hebreu na Babilônia. Longe de sua pátria, o salmista chora de saudade:
"Junto aos rios da Babilônia
nós nos sentamos e choramos
com saudade de Sião..."

A lamentação do Salmo 137 inspirou o pai de nossa língua, Luís Vaz de Camões, em um dos seus mais belos e longos poemas, que assim começa:
"Sôbolos rios que vão
por Babilônia me achei
onde sentado chorei
as lembranças de Sião
e quanto nela passei.
Ali o rio corrente
de meus olhos foi manado,
e tudo bem comparado:
Babilônia ao mal presente,
Sião ao tempo passado."

Camões escreveu esse poema quando se encontrava exilado na Índia, com saudades de Portugal. Assim nós também choramos a sua ausência, querido Dom Albano. Mas, como o sr. mesmo dizia, sabemos que a verdadeira saudade é a saudade da vida eterna. E o poeta concordava:
"Não é logo a saudade
das terras onde nasceu
a carne, mas é do Céu,
daquela santa cidade,
donde esta alma descendeu".

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