Imagem ilustrativa da imagem Triste fim de Fachin
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Na novela "A Morte de Ivan Ilitch", Tolstói narra a trágica história de um magistrado que, às portas da morte, descobre a falta de sentido no que fez de sua vida. Já tive esse sentimento aos 30 anos, quando abandonei o socialismo, e posso assegurar que é terrível. De lá para cá, adotei a divisa do Duque de Gandía, que declarou após a morte da Rainha Isabel de Portugal, considerada a mulher mais bela de seu tempo: "Nunca mais servirei a um senhor que possa morrer".

É triste constatar que o ministro Edson Fachin continua acreditando numa mentira que já nasceu morta. O seu voto favorável à candidatura do criminoso Lula, mesmo derrotado por 6 a 1 no TSE, será o ponto de apoio em que a esquerda petista vai se ancorar para voltar ao poder e, uma vez lá, jamais se retirar. Quem já estudou a história do movimento socialista sabe que os companheiros jamais aceitam perder uma votação. Desde Lênin em 1917, apegam-se a qualquer detalhe para burlar o resultado desfavorável. "Dê-me um ponto fixo e uma alavanca e eu levantarei o mundo", disse Arquimedes. No caso do PT, o ponto fixo será o voto de Fachin. "Eureka!", bradam os companheiros.

Como se sabe, a indicação de Fachin foi feita pela ex-presidente Dilma. Na época, descobrimos que Fachin tecera loas ao MST e à própria Dilma, numa postura bastante discutível para um magistrado. Antes que sua indicação fosse avaliada pelo Senado, no entanto, entrou em ação a turma do deixa-disso: políticos paranaenses do PSDB e do atual Podemos saíram em defesa de Fachin com grande entusiasmo. Poucas as vezes a estratégia das tesouras - com duas forças que parecem conflitantes, mas cortam para o mesmo lado - foi exposta com tanta clareza. O resultado está aí: o voto de Fachin recolocou Lula e o PT no centro da eleição presidencial.

A decisão de Fachin foi baseada na ridícula decisão de burocratas de um comitê da ONU. Os burocratas não enxergam violação aos direitos humanos na Venezuela e na Nicarágua, onde o povo está sendo massacrado a fome e fogo, mas querem garantir o direito desumano de um criminoso concorrer à Presidência. Lula nos olhos do outros é refresco, né?

Os ministros do STF só não colocaram Lula em liberdade até agora por precisão, não por boniteza. Eles não aguentariam a pressão popular. Mas a narrativa esquerdista vai muito bem, obrigado: na mesma madrugada da votação sobre a candidatura de Lula, os magistrados decidiram, digamos assim, suavizar a decisão contra Lula e o PT. Tudo indica que o condenado vai aparecer na campanha, fazendo o que sempre fez. Uma vergonha para os brasileiros.

A palavra "fim" possui dois sentidos na língua portuguesa: término ou objetivo. O voto de Fachin é um fim no segundo sentido, pois a nossa agonia ainda está longe de terminar. Só o povo poderá evitar que o triste fim de Fachin seja também o triste fim do Brasil.

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