Imagem ilustrativa da imagem Tributo a um professor
| Foto: Arquivo FOLHA



Em 2002, às vésperas das eleições presidenciais, fui a uma festa em que estava presente o médico e professor Paulo André Chenso. Eu o conhecia de nome e fama; sabia que era autor de livros de história e respeitado mestre nas escolas de Londrina. Em determinado ponto, entre uma canção de Paulinho da Viola e outra de Tim Maia, o assunto derivou para a política.

Na época, aos 32 anos, eu já estava bastante desiludido com a esquerda. Celso Daniel havia sido morto no começo do ano, mas eu ainda não sabia, ou não queria saber, de todas as circunstâncias que envolviam o crime. Os candidatos a presidente eram Lula, Serra, Garotinho e Ciro Gomes. Não votei em nenhum deles, o que não me causa arrependimento. Mas, apesar de minha descrença nas candidaturas, não percebia quão perigosa era a chegada do PT ao poder. Ingenuamente — ah, vamos usar a palavra certa: burramente — eu acreditava que o maior problema do PT era a incompetência, não a corrupção e o autoritarismo. Eu havia saído da esquerda, mas a esquerda ainda não havia saído de mim.

Lembro-me das palavras do professor Chenso naquela conversa: ele declarou, com total convicção, que o governo petista cedo ou tarde seria um desastre para o País. Alertou-nos que os companheiros eram basicamente autoritários e possuíam uma visão do mundo exclusivamente voltada para o poder. Se fosse necessário escolher entre o partido e o Brasil, eles escolheriam o partido. (Algo que, por sinal, tinha vários precedentes históricos, se nos lembrarmos de Lênin colaborando com o governo alemão, que estava em guerra contra o Império Russo, e de Luís Carlos Prestes afirmando que defenderia a União Soviética no caso de uma guerra contra o Brasil.)

O tempo provou que Chenso estava certíssimo. Suas palavras, naquela distante conversa de 2002, eram nada menos que proféticas.

Confesso que voltei para casa meio bravo naquela noite. Embora desiludido com a esquerda, eu tinha um pezinho no PT (era até filiado sem saber, como já comentei nesta Avenida Paraná). Acreditava que Lula era alvo de preconceito por ser metalúrgico, nordestino e não ter diploma. Mas o que o professor Chenso estava expressando naquela oportunidade não era um preconceito, e sim um conceito elaborado pela análise histórica e cultural. A Era do PT — iniciada com a morte de Celso Daniel e finalizada com um acontecimento que o Brasil inteiro espera — passará à história com a marca da infâmia.

Ao ler o excelente artigo de Paulo André Chenso publicado ontem na FOLHA ("O aparelhamento da UEL"), vejo que o mestre londrinense continua oferecendo a mesma lucidez de 14 anos atrás. Sua análise da dominação do ambiente universitário por grupos esquerdistas é um ato de coragem e amor à verdade. Obrigado, professor, pelo bom senso de sempre.

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