Todos os nomes do socialismo
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quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Paulo Briguet 

Quando me perguntam por que deixei o socialismo, respondo que foi a consequência inevitável de entendê-lo. Descobri que socialismo é o sistema em que uma elite pode cometer todo crime, sem sofrer nenhum castigo, enquanto o povo sofre todo o castigo, sem cometer nenhum crime.
Uma das características desse mal é possuir vários nomes.
No livro "O Jovem Stálin", o historiador Simon Sebag Montefiore lista os apelidos utilizados pelo líder comunista Josef Stálin ao longo de sua carreira de Grande Guia Genial dos Povos, assaltante, ditador e genocida: Stálin, Koba, Sossó, Sosseló, Ivánovitch, K. Kató, Galiachvíli, Vaska, K. Sáfin, O Padre, O Leiteiro, Oska Bexiguento, O Galopador, O Cambaleante, Zé Bexiga.
O fato de que alguns nomes são engraçados não tornou Stálin menos sinistro, nem menos sanguinário.
A terrível KGB - polícia secreta soviética -, que não se extinguiu com o fim do comunismo, trocou de nomes várias vezes desde 1917: Tcheka, GPU, OGPU, NKVD, GUGB, MGB, KGB e atualmente FSB. De qualquer modo, trata-se da mesma organização, com os mesmos objetivos e mesma periculosidade.
A sigla Ursal, objeto de tantas controvérsias e memes nos últimos dias, é um dos vários nomes que indicam a integração dos partidos socialistas para a conquista do poder na América Latina. Em geral, o nome utilizado é Pátria Grande, mas também se usa Foro de São Paulo, Unasul, Grupo de Marbella, Movimento Bolivariano, Movimento Democrático-Popular, etc.
É como dizia um chefe da esquerda brasileira:
"Nós já lutávamos por uma América Latina de esquerda desde que criamos o Foro de S. Paulo, em 1990. Depois criamos ainda o Grupo de Marbella, no Chile, onde todos os participantes foram eleitos presidentes da república, com a exceção do Ciro Gomes, que ainda não foi. A condição para a América Latina avançar é a união entre esses presidentes de esquerda." (José Dirceu)
Durante a discussão sobre a Ursal, lembrei-me também de uma palestra de Lula na antiga Alemanha Oriental presenciada por um querido amigo, o escritor Karleno Bocarro, em 1990, logo após a queda do Muro de Berlim, meses antes da criação do Foro de S. Paulo. A cena real é descrita no romance "As almas que se quebram no chão":
"Ele, Lula, portava um pesado casaco que chegava aos joelhos. Acompanham-no dois tipos mais altos. Um de cada lado, como guarda-costas ou conselheiros íntimos. Cláudia, a esposa de César, com seus cabelos encaracolados e dentes separados, foi quem deu as boas-vindas ao líder máximo e marcou o ritmo das palavras de ordem. Punhos cerrados se elevaram! Ela então iniciou o hino da Internacional, e o coro de militantes respondeu. Do meio para trás do auditório, estavam os alemães simpatizantes da causa socialista, e se faziam acompanhar de suas companheiras e companheiros brasileiros. Estes pareciam bem satisfeitos."
O objetivo de Lula e seus companheiros após essa viagem era bem definido: recuperar na América Latina o que o socialismo havia perdido no Leste Europeu. E eles não vão desistir; o nome é o que menos importa.
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