Todo poder aos sovietes
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terça-feira, 20 de dezembro de 2016
por Paulo Briguet 

Nem todos sabem, mas em novembro de 1917, pouco depois do golpe que levou os comunistas ao poder, o povo russo foi às urnas para eleger uma assembleia constituinte. O partido de Lênin sofreu uma dura derrota, ficando com apenas 25% dos votos válidos. Os grandes vencedores foram os social-revolucionários, partido fortemente ligado à classe camponesa, que obtiveram 58% dos votos.
Diante da derrota, sabe o que os comunistas fizeram? Simplesmente dissolveram a assembleia constituinte, por entender que ela estava contaminada pelos "elementos burgueses e reacionários" e significaria um atraso na marcha rumo ao socialismo. Destruída a constituinte eleita pelo povo, os comunistas voltaram ao velho slogan: "Todo poder aos sovietes".
Você sabe o que significa "soviete" em russo? Conselho. Cem anos depois, a esquerda brasileira, humilhantemente derrotada nas urnas, tenta permanecer no poder e comandar a sociedade por meio dos tais conselhos populares. De lá para cá, a esquerda mudou de estratégia. Depois de Gramsci e de Marcuse, os companheiros trocaram a dominação militar pela "ocupação de espaços". Mas o slogan poderia ser o mesmo.
Levaram uma sova nas urnas? Não conseguiram eleger nem um prefeito importante? Não emplacaram um só vereador? Não importa. Todo poder aos sovietes! E, se por acaso ou acidente algum dos conselhos mantiver um perfil técnico e não cumprir a agenda esquerdista, não tem problema: os companheiros criam outro conselho no lugar, este devidamente aparelhado. Acontece hoje em todos os lugares: no País, no Estado e também na nossa cidade.
Os militantes esquerdistas que eu prefiro chamar de soviéticos brasileiros não querem aconselhar ninguém. Eles querem mesmo é mandar. Querem controlar as políticas públicas. E você, cidadão comum, é que depois paga a conta, na forma de impostos, corrupção ou desemprego. São consultores que não consultam ninguém. São conselheiros que não ouvem conselho de ninguém. Depois da ditadura militar, desejam nos submeter à ditadura militante.
Com a corrupção, o excesso de leis, os entraves burocráticos e a elefantíase da máquina estatal, o Brasil tornou-se um dos países mais hostis à atividade empresarial. Empresário de vida fácil, pelo menos até a Lava Jato, era só aquele que se amigava com o Estado. Para a grande maioria dos empreendedores, só proliferam dificuldades: no ranking das economias, estamos em 123º lugar na facilidade em fazer negócios, 175º lugar em agilidade na abertura de empresas e 172º lugar na obtenção de alvarás de construção. Isso entre 189 países.
Como se sabe, o melhor programa social é o emprego. Ao dificultar a abertura de empresas e a realização de obras em nossa cidade, os militantes sem-voto estão criando uma legião de sem-emprego. Cuidado, Londrina: empoderar essa turma é emparedar a cidade! Continuamos tendo muitas muralhas a derrubar.
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