Tem aqui um presente pra você
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quinta-feira, 01 de novembro de 2018
Paulo Briguet 

Eram três da tarde e eu estava trabalhando no escritório, quando tocou o interfone. Seu João, o porteiro, disse:
- Sr. Paulo, deixaram um presente aqui pra você.
Desci até a portaria, agradeci ao Seu João e peguei o pacote. Envolto naquele plástico-bolha que todo mundo gosta de estourar, estava uma imagem do meu santo do coração, São José. Sou um admirador do pai adotivo de Jesus desde o tempo em que era ateu. Uma das qualidades mais bonitas em José é a sua discrição; em toda a narrativa do Novo Testamento, ele não pronuncia uma só frase. Tudo que ele faz são gestos - gestos de amor. Ao contrário do seu xará bíblico, o eloquente José do Antigo Testamento, o casto esposo de Maria não precisa dizer uma palavra para ser salvo. Creio que esse santo tão diferente de mim - que falo todos os dias, e às vezes demais - foi decisivo em meu processo de conversão.
A imagem de São José que ganhei na semana passada, bem no momento em que todos estávamos tensos e angustiados com a eleição presidencial, foi confeccionada por minha querida amiga, a jornalista e artesã Márcia Kaneko. Junto com o presente, havia um bilhete da Márcia, que dizia:
"Querido Paulo Briguet,
Tudo bem com vocês? Aqui, com a graça de Deus, sigo com meu trabalho super prazeroso.
Como prometido, há tanto tempo, envio o teu querido São José, padroeiro dos trabalhadores e das famílias.
Desejo que São José toque o teu coração e abençoe o novo lar e a linda família.
Deus te abençoe, sempre!
Beijo.
Márcia."
Não é para alegrar a vida da gente?
Agora, São José vai fazer companhia a outras imagens que tenho aqui em casa: a Cruz da Unidade (que me faz lembrar o herói de Schoenstatt, José Engling); a Nossa Senhora Aparecida que pertenceu à Vó Maria e seguramente deve ter mais de 70 anos; a Nossa Senhora da Salete que ganhei de um amigo norte-paranaense; a Sagrada Família que ganhei do meu amigo Gregório Montemor; o bebê de 12 semanas de gestação que virou símbolo mundial pró-vida; o Rosário de Fátima; o terço de contas de madeira que me acompanha aonde quer que eu vá; e o crucifixo dourado que abençoa todos os que entram e saem de casa. A eles une-se José, com o Menino Jesus no colo e um ramo de lírios na mão: a eternidade e a pureza nos braços de um trabalhador.
Depois que ganhei o São José, Pedro pediu para que eu o ajudasse com a tarefa de geometria. Como não encontrávamos a régua, abri o baú de madeira de meu avô, o Seu Briguet, feito por ele mesmo há 78 anos. Lá encontramos uma trena que ajudou o Pedro a desenhar seus polígonos. Como São José, Vô Briguet era operário, trabalhava numa oficina de pintura e funilaria. Sempre que sonho com ele, encontro-o silencioso como José. Seu Briguet apenas sorri. Eu me lembro de sua frase clássica, quando tinha um trabalho a fazer:
- Lixa, Briguet!
É como se agora, 35 anos depois de sua morte, ele dissesse para o neto cronista:
- Escreve, Briguet!
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