Tchernóbil é aqui

Meditando sobre magistral livro "Vozes de Tchernóbil", de Svetlana Aleksiévitch, fico a cada momento mais impressionado com a semelhança entre a catástrofe nuclear na União Soviética e a destruição do Brasil pela esquerda.
A seguir, separo algumas frases de Vassíli Nesterénko, ex-diretor do Instituto de Energia Nuclear da Academia de Ciências de Belarus. Mutatis mutandis, poderiam ser aplicadas à realidade brasileira dos últimos anos:
"O reator ardeu por dez dias; durante os dez dias era preciso dar iodo de potássio para todas as crianças e adultos da região. Mas ninguém nos escutava! Nem cientistas, nem médicos. A ciência servia à política, a medicina estava amarrada à política."
"Já haviam se precipitado sobre a nossa terra milhares de toneladas de césio, iodo, chumbo, zircônio, cádmio, berílio, boro, quantidades incalculáveis de plutônio ao todo 450 tipos de radionuclídeos. Uma quantidade equivalente a 350 bombas atômicas como a que lançaram sobre Hiroshima. Era preciso falar sobre a física. Sobre as leis da física. Mas se falava sobre inimigos. Buscavam-se inimigos."
"Estas são as regras do jogo: se você não agradar seus superiores, não ascenderá no seu cargo, não conseguirá uma viagem de férias, não te darão uma datcha."
"Eles não se preocupavam com as pessoas, e sim com o poder. Era a pátria do poder, e não a pátria do povo. A prioridade do Estado era indiscutível. E o valor da vida humana se reduzia a zero."
"Tinham mais medo da ira dos superiores que do átomo. Todos esperavam uma chamada telefônica, uma ordem. Ninguém fazia nada por conta própria. Temiam assumir pessoalmente as responsabilidades."
"As autoridades políticas tomavam iodo. Quando os colegas do nosso instituto examinaram os políticos, todos estavam com a tireoide limpa. Isso não seria possível sem iodo. Além disso, levavam seus filhos às escondidas para longe do acidente. E só visitam a zona de exclusão com máscaras e roupas especiais. Todo o aparato que os outros não possuíam. E há tempos já não é segredo que perto de Minsk mantinham um gado especial, cada rês com um número individual, pessoal. Terras especiais, estufas especiais. Controle especial. Algo repugnante. Ninguém ainda respondeu por isso."
"Isso já é história. História de um crime."
*******
O livro de Svetlana Aleksiévitch mostra as agruras de um país dividido entre uma elite burocrático-partidária que destruiu as próprias bases da sociedade, exatamente o que estamos vivendo no Brasil atual.
O abismo existente entre os líderes comunistas e o povo "soviético" é tão grande quanto aquele que separa os brasileiros comuns e a elite política que acaba de rasgar a Constituição para se autopreservar no poder.
Ao cassar o mandato de Dilma sem lhe retirar os direitos políticos, os mafiosos de Brasília não apenas fizeram algo semelhante a condenar o pedófilo deixando-o livre para trabalhar no jardim de infância (como bem disse meu amigo Anderson Garcia); eles abriram uma rota de fuga para escapar da Operação Lava Jato.
Enquanto não estiverem todos presos em Curitiba, o Brasil não terá paz.





