Tchau, queridos!
Acompanho a trajetória do Almir Escatambulo há muitos anos. Posso dizer, sem nenhuma dúvida, que somos amigos. Testemunhei a sua luta para adquirir uma boa formação intelectual e profissional. Conheci as suas (muitas) virtudes e os seus (poucos) defeitos. Uma de suas características mais evidentes é a sinceridade. Almir não mente; é incapaz de mentir. Ninguém no mundo seria capaz de fazê-lo dizer o que não está sentindo.
Nem todos conhecem a luta do Almir para superar imensas dificuldades. A começar, a luta pela vida. Durante a gravidez de sua mãe, todos os médicos diziam que aquele menino não sobreviveria. Mas sobreviveu. Depois, veio o fantasma da cegueira. Com um fiapo de luz nos olhos, Almir frequentou o Instituto dos Cegos de Londrina e conseguiu se formar em Ciências Sociais e Direito. Em 2012, foi convidado para assumir um cargo de assessor especial da Prefeitura de Londrina para pessoas com deficiência. Participou do governo de reconstrução da cidade, liderado pelo prefeito Alexandre Kireeff, após décadas de petismo e populismo (irmãos gêmeos univitelinos).
Mas é claro que, no ambiente universitário, Almir foi envolvido pela ideologia esquerdista. Todas as pessoas que têm sentimentos de compaixão e amor ao próximo passaram pelo mesmo processo. Eu vivi isso. E sei que sempre existirá tempo para reconsiderar e mudar de rumos.
Almir teve muitas idas e vindas na sua relação com a esquerda, mas recentemente descobriu que os verdadeiros gestos de camaradagem e solidariedade, em quase todos os casos, têm origem em outros lugares, não nos meios esquerdistas. Publico aqui a carta que Almir escreveu para seus ex-amigos do atual Fora Temer:
"A vida é feita de escolhas, eu escolhi procurar ser honesto (ou tentar, pelo menos); tem gente que se torna corrupto ou ladrão. O que não podemos fazer é omitir as nossas responsabilidades.
Eu errei e paguei o meu preço. O sujeito que me roubou tem que pagar o dele, a justiça precisa ser feita no Brasil. O Estado precisa ser responsável não só em prover as pessoas em suas necessidades básicas, mas também precisa punir. Deixei de acreditar no marxismo como ideologia de vida a partir do momento em que exigiram que eu abdicasse de minha liberdade, para obedecer a um Estado, a um partido, a um grupo político.
Também deixei de acreditar que todas as pessoas são boas. Sim, elas existem, mas nem sempre estão presentes dentro da esquerda. Também deixei de acreditar que a tal da meritocracia não é importante; é, sim! Se não fosse por ela, não estaria onde estou hoje. Mas também não condeno aqueles que não conseguiram, todo mundo tem as suas limitações e cabe a nós, humanos que somos, tentar ajudar (ou fornecer subsídios) que encaminhem estas pessoas para algum lugar.
Não acredito na democracia brasileira, acho-a falha, desigual, opressora. Onde uma minoria de endinheirados possui o poder em detrimento da maioria da classe trabalhadora. Contudo, não acho que um socialismo irá resolver o Brasil, aliás, o socialismo não existe, é uma utopia criada por meia dúzia de burgueses filminhos de papai, que queria fazer media com os amiguinhos e pegar as camponesas pobres. Tal fato é tão concreto, que elegemos um metalúrgico e uma mulher para presidente, oriundos de um partido de esquerda, e o que ganhamos com isso, me digam? Nada! Enriquecemos os dois, demos a eles poder e agora estão lá, rindo da nossa cara, enquanto meia dúzia de malucos estão nas ruas quebrando e destruindo coisas, em nome de algo que não existe. Não, senhores! Cansei de seguir a manada dos imbecis. Sempre fui militante, atuei nos vários movimentos sociais, sobretudo nos do meu segmento. E, quando divergi em alguma coisa, fui ofendido, xingado, chamado de ignorante, medíocre, coxinha, etc. Esqueceram os meus anos de dedicação aos movimentos. Não ganhei nem sequer um aperto de mão dessas pessoas, só ofensa e desconfiança. (Chegaram a me chamar de "dedo duro"!)
Pois bem, amiguinhos da esquerda, esqueçam de mim. A partir de hoje vocês terão uma baixa, pois foram justamente os ditos "opressores"que valorizaram o meu trabalho, que confiaram em mim e acreditaram que eu sou capaz, para além da minha deficiência. Fiquem com o seu "fora Temer", com a ilusão de que são vítimas de um golpe, porque eu cansei. Porque eu vou me proteger e aos meus, e não ser mais vítima de ninguém , nem de mim mesmo. Porque a única coisa que me fortalece de verdade são meus pais, minha família, os poucos (mas honrados) amigos que conquistei e o Nosso Senhor Jesus Cristo. Pessoas que eu abandonei nestes últimos anos, por conta de bobagens. Concluo dizendo o seguinte: -- Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas são para sempre.
Tchau, queridos!





