Imagem ilustrativa da imagem Sol Nascente no Sertão
| Foto: Rossana Ziller/Divulgação


Nesta semana, o céu de Londrina esteve recoberto por uma belíssima camada de nuvens que me fizeram lembrar a canção das crianças para Nossa Senhora: "Azul é teu manto, branco é teu véu / Mãezinha, eu quero te ver lá no Céu!"

A beleza do céu me fez pensar em D. Tokiko, imigrante japonesa que veio para Londrina na década de 30, nos tempos heroicos da colonização.

Tokiko chegou à cidade acompanhando o marido, Taichi Okabayashi. Tinham um pequeno comércio na antiga rua Bahia (hoje João Cândido). Caso raro na época, Tokiko tinha curso superior: formara-se em Letras nas Faculdades Álvares Penteado, em São Paulo. Dominava perfeitamente a língua portuguesa. As pessoas se admiravam quando a viam conversando em ótimo português com os clientes da casa comercial. Entre os brasileiros e imigrantes de outras nacionalidades, era conhecida por Nair (seu "nome brasileiro").

Em pouco tempo, Tokiko se tornou quase uma intérprete oficial para a comunidade nipônica em Londrina. Sempre que alguma família de imigrantes tinha dificuldades com o idioma, lá estava Tokiko, pronta a ajudar. Ajudava a fechar negócios, selar contratos, realizar compras, traduzir documentos, escrever cartas e resolver outras eventuais dificuldades das famílias japonesas. Jamais cobrou nada por esses serviços; fazia-os por bondade.

Quando as pessoas da comunidade ficavam doentes, Nair se dispunha a pernoitar cuidando dos pacientes no "hospitalzinho" do Dr. Jonas de Faria Castro, que funcionava nos fundos das Casas Pernambucanas. Muitas noites ele ficou ao lado de crianças e idosos internados, para que seus familiares pudessem descansar um pouco.

O dinamismo e o espírito caridoso de Tokiko chamaram a atenção do primeiro arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Fernandes, que chegou a Londrina em 1957. Nascida numa família metodista do Japão, ela se converteu à Igreja Católica após os 60 anos, tendo como padrinhos de batismo o Padre Pedro Katsumi Miyamoto, da Paróquia Imaculada Conceição, e a Irmã Maria Doroteia, do Colégio Mãe de Deus. Adotou o nome católico de Teresa, em homenagem a Santa Teresa de Ávila. Uma batalhadora como ela.

Mesmo antes de receber o sacramento do batismo, Tokiko tornou-se grande amiga e colaboradora de D. Geraldo Fernandes. A casa do arcebispo era sua casa. Ajudava os padres japoneses, que D. Geraldo trouxera para Londrina, a traduzir sermões para o português. Treinava-os para que tudo saísse perfeito na hora da missa. Todos diziam: "Ela é a japonesa mais comunicativa que existe!" Com alegria e entusiasmo, Tokiko levou sua mensagem de fé cristã a inúmeras famílias londrinenses.

Tokiko e Taichi tiveram duas filhas: Nair e Estela, ambas professoras. Minha querida amiga Estela Okabayashi Fuzii, docente da UEL, é uma das maiores conhecedoras da cultura japonesa no Paraná.

Tokiko Okabayashi teve uma vida marcada pelas virtudes teologais: fé, esperança e amor. Quando olho para o céu de Londrina, lembro-me de Nossa Senhora e penso também em todas as mulheres que levaram adiante o trabalho da Mãe em nossa terra. Arigatô, D. Tokiko!

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