Sindicato da inveja
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sexta-feira, 05 de maio de 2017
por Paulo Briguet 
Antônio é um dos homens mais bondosos e íntegros que eu conheço. Bancário aposentado, trabalhou por muitos anos como gerente de um banco privado. Como ele não fazia greve, sofreu um bocado nas mãos de alguns sindicalistas. Fizeram até enterro simbólico do Antônio! Era uma tentativa canhestra de assassinato de reputação, felizmente malsucedida. Antônio não é de guardar mágoas, mas sabe que hoje em dia, entre aqueles que o maltrataram, alguns estão na cadeia ou com medo de ir para lá.
Existem bons e maus sindicatos, mas o pior de todos eles é o sindicato da inveja. S. Tomás de Aquino definia a inveja como o "pesar do bem alheio, não porque nos prejudique, mas porque o outro o possui". É o vício que se opõe ao amor. O invejoso se entristece com a alegria da outra pessoa. Ele não quer o bem para si; quer destruir o bem do outro. Era por isso que certos companheiros, quando viam a felicidade do Antônio bom trabalhador, bom amigo, bom pai de família , sentiam a necessidade de enterrá-lo, nem que fosse simbolicamente.
Aqueles que "enterraram" o Antônio décadas atrás deixaram discípulos entre nós. O partido que eles amam foi para o governo e destruiu o País. Não conseguiram eleger ninguém nas últimas eleições. Por toda parte, estão desesperados, procurando fantasmas e roendo até o sabugo das unhas, com medo de que o Grande Líder seja inserido no contexto do xilindró. Fiscalizam cada passo dos adversários que somos nós, as pessoas comuns, a maioria do povo buscando o mínimo deslize para se fazer de vítimas.

Os invejosos modernos, ou militantes da inveja, são descendentes do primeiro criminoso da humanidade. No Livro do Gênesis, a história desse crime inaugural é contada de maneira simbólica, com uma beleza poética que chega a doer na alma. Trata-se do episódio de Caim e Abel. Como se sabe, os dois irmãos ofereceram seus sacrifícios a Deus. Mas Deus gostou mais do sacrifício de Abel, o pastor, enfurecendo Caim, o lavrador. Este chamou o irmão para um passeio no campo e matou-o sem piedade.
Ao encontrar Caim, Deus não o mata. Ao contrário: faz uma marca em sua testa, para que ninguém lhe faça mal. Caim vaga pelo mundo... e funda a primeira cidade! Através dessa atordoante parábola, o texto bíblico nos mostra que a própria sociedade humana se funda em um ato de inveja e traição. Para evitar o domínio total da inveja, devemos cultivar a consciência individual e limitar o poder dos governantes. Caso contrário, o sucesso, a alegria e a paz serão sempre perseguidas.
Em 399 a.C., Sócrates, o pai da filosofia, foi condenado a beber cicuta exatamente porque despertava a fúria do sindicato da inveja em Atenas. Hoje em dia, o veneno tem outro nome: assassinato de reputação. É assim que o sindicato da inveja trata aqueles que ousam trabalhar com afinco e dizer a verdade, sem prestar culto aos deuses que os invejosos adoram. Ontem, a vítima foi o Antônio. Hoje, é alguém que cometeu um erro. Amanhã, pode ser você.
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