Imagem ilustrativa da imagem Setenta vezes Folha de Londrina
| Foto: Marcos Zanutto



Hoje, festa de 70 anos da Folha de Londrina, quero ter uma conversa franca com meus sete leitores. E com outros dois personagens que não estão entre nós: João e José.

Sete é o número da totalidade: sete dias da semana, sete planetas visíveis, sete graus de perfeição, sete virtudes, sete pecados, sete esferas celestes, sete notas musicais, sete hierarquias angélicas, do sétimo dia da criação, sete portas de Tebas, sete artes liberais, sete palavras de Cristo na cruz.

Somando-se o número quatro, que simboliza a Terra (com quatro pontos cardeais), e o três, que simboliza o Céu (com a Santíssima Trindade), temos o sete. Trata-se do número que indica a totalidade do universo, o casamento entre a Matéria e o Espírito.

O sete também representa a totalidade da vida moral cristã, pois une as três virtudes teologais (fé, esperança e amor) às quatro virtudes cardeais (prudência, força, justiça, temperança). Sete também são os dons do Espírito Santo, que desceram sobre os apóstolos no dia de Pentecostes: temor de Deus, piedade, fortaleza, conselho, ciência, entendimento e sabedoria.

Quando multiplicamos o sete por dez, os dois números da totalidade, temos o 70. Para Santo Agostinho, o "décuplo setenário" corresponde a um ciclo evolutivo completo, onde a realidade se reflete em sua inteireza.

Quando perguntaram a Jesus sobre quantas vezes se deveria perdoar o próximo, ele respondeu: "Setenta vezes sete". Isso quer dizer que o caminho do homem rumo à perfeição é mais longo do que imaginamos. Qualquer coisa que seja realizada todos os dias precisa ser constantemente aperfeiçoada para que o Criador se agrade de nós. Como dizia certa vez o escritor Henry Miller, "o que mais importa não é se você acredita em Deus, mas se Deus acredita em você".

Por todos esses motivos, os 70 anos da Folha de Londrina revestem-se de um poderoso significado. No indivíduo, os 70 anos marcam a idade provecta: um homem de 70 anos já teve tempo para acumular as experiências que resultam na sabedoria. Numa instituição, as sete décadas demonstram vocação, responsabilidade cívica, confiança e sobretudo amor - um amor que não se mede pelos calendários nem se dissolve com o tempo, mas resulta de um ato da vontade humana.

S. Tomás de Aquino, em sua interpretação da obra aristotélica, ensina-nos que a felicidade consiste na completação da verdade. Nestes 70 anos, a Folha de Londrina tem buscado diariamente esse objetivo em suas páginas. E podemos dizer que, em boa parte, o alcançou, tendo em vista que hoje é impossível falar na história de Londrina sem mencionar a presença do seu jornal, que nasceu quando a cidade ainda era uma adolescente de 14 anos, com todos os sonhos do mundo.

Esses sonhos se realizaram, e foram narrados nas páginas que vocês sete leem agora. Orgulho-me de ter uma participação, ainda que mínima, nessa linda história de amor entre um jornal e sua cidade.

A todos que participam desta saga, 70 vezes parabéns. E a vocês também, João e José...

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