Senhores bandidos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
por Paulo Briguet 

Senhores bandidos, venho por meio desta crônica pedir encarecidamente a Vossas Excelências: Por favor, parem de matar as pessoas! O número de assassinatos só faz crescer no Brasil. São 60 mil mortes por ano, uma a cada dez minutos. Somos comparados (desfavoravelmente) a países em guerra civil. Precisamos diminuir a letalidade de nosso país. Contamos com os senhores para diminuir esse número. Levem em conta que os policiais andam desmotivados e mal equipados, quando não estão respondendo a processos judiciais e pagando advogado com dinheiro do próprio bolso.
Senhores assaltantes, a Vossas Excelências eu pediria: Tentem reduzir o número de incursões nas casas alheias. Eu sei que a vida não está fácil para ninguém. Mas, ainda que não seja possível fazer menos assaltos residenciais, eu solicitaria que na medida do possível tentem não espancar, nem amarrar, nem humilhar as vítimas especialmente mulheres, crianças e idosos. Considerando que o nosso querido governo e os nossos queridos movimentos sociais de esquerda desarmaram a população, tornando-a indefesa diante dos assaltantes, recorro aos bons sentimentos que, espero, habitam os corações da categoria.
Senhores traficantes, imploro: Parem de viciar nossas crianças! Parem de lhes oferecer maconha, de lhes apresentar a cocaína, de lhes mostrar o crack. Não sei se os senhores também têm filhos, mas tentem pensar no desespero da mãe que vê seu filho roubar objetos de casa para comprar uma pedra. Imaginem a quantidade de dor, de angústia e de morte gerada pelas drogas. Já consideraram buscar outro ramo de atividade?
Senhores corruptos, que tal dar uma trégua nas propinas, nos desvios, nas comissões, nas trambicagens? Dizem que passar um tempo sem roubar faz bem para a saúde, sobretudo a saúde da alma. Eu sei que é difícil acreditar, mas é possível viver sem avançar sobre o dinheiro alheio. A maioria das pessoas consegue. Pode doer um pouco no começo, mas aos poucos vocês vão se acostumando. Oh, desculpe! Vocês, não Vossas Excelências.
Senhores terroristas, senhores estupradores, senhores aliciadores de crianças, senhores mentirosos, senhores ladrões, senhores mafiosos, senhores publicanos, senhores abortistas, ouçam o apelo deste pobre cronista, cuja única arma é uma coluna de jornal: Mudem de vida!
Ou a vida mudará vocês.
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