Imagem ilustrativa da imagem São Brás!
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No momento em que escrevo estas linhas, meu amigo P. A. entra na sala de cirurgia para ser submetido a uma operação na garganta. Se você estiver lendo o jornal de hoje, amigo, saiba que estou na torcida por sua rápida recuperação. Tantas vezes você fez comentários generosos e deu conselhos importantes sobre meu trabalho, tornando-se o mais fiel dos meus sete leitores! Um dia ainda vou contar aqui a história de amor de seus pais; só estou esperando para isso um momento especial.

Nossos nomes têm as mesmas iniciais; deve ser por isso que você me chama de "Paulo Antônio". Tal semelhança não ocorre por acaso, mas indica uma espécie de irmandade espiritual, uma forma parecida de contemplar o mundo e seus mistérios.

Ao saber que você seria operado na garganta, preocupei-me com sua voz. Na verdade, é uma preocupação um tanto egoísta, pois não quero ficar privado de sua conversação. De todo modo, podemos conversar por escrito — e é exatamente o que estou fazendo agora.

Amigo P. A. — meu xará de iniciais, meu novo velho companheiro de infância, meu revisor predileto — saiba que desde que você me deu a notícia sobre a operação eu venho pensando em São Brás. Vó Maria dizia "São Brás!" se alguém se engasgava, tossia ou queixava-se de dor de garganta. Durante a infância, ela teve que rezar muito para esse santo que viveu na Capadócia, no século IV.

São Brás é o protetor das gargantas. A fama nasceu quando ele caminhava por uma estrada e foi abordado por uma mãe em prantos, cujo filho estava prestes a morrer engasgado com uma espinha de peixe. Brás foi até o menino, pôs-lhe a mão sobre a garganta e rezou, salvando-o. Logo Brás tornou-se conhecido como milagreiro por toda a Capadócia.

Durante a infância, sofri muito com dores de garganta. Até hoje sinto o cheiro dos lenços embebidos em álcool que minha mãe e Vó Maria enrolavam no meu pescoço para que eu pudesse dormir melhor à noite, no apartamento da Alameda Barão de Limeira. Continuo morrendo de medo da Benzetacil, injeção muito dolorida que precisava tomar durante minhas crises de amigdalite. Deve ser por isso que adoro sorvete — na infância, tomar um picolé era coisa rara. Nas poucas vezes em que isso me era permitido, eu precisava tomar alguns copos de água em temperatura natural para evitar a maldita dor de garganta.

Brás e meu amigo P. A. têm algo em comum: sempre combateram aqueles que usam o poder para roubar e ferir as pessoas. O santo da Capadócia acabou sendo preso, torturado e morto por um rei que não aturava suas críticas. Mas hoje quem nós invocamos quando nossas gargantas estão em risco? São Brás, é claro! O rei foi esquecido. Eis uma lição importante, P. A.: a santidade é maior que todos os impérios e governos.

Melhore logo, amigo!

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