Santo do nosso tempo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de julho de 2016
por Paulo Briguet 

Por que o mundo precisa dos santos? Se você não sabe, leia o livro "Padre Pio mudou nossas vidas", de Frei Karl Wagner e Padre Giovanni Mezzadri, que será lançado hoje em Londrina. A obra fala sobre a importância do Padre Pio de Pietrelcina (1887-1968), canonizado pela Igreja Católica em 2002. O santo frei italiano, que por 50 anos e 3 dias recebeu os estigmas de Cristo, mudou não apenas a vida dos dois religiosos, mas também as de milhares de fiéis que até hoje recebem graças e milagres. Leia a seguir os principais trechos da entrevista do Padre Giovanni à Avenida Paraná:
Qual a importância de Padre Pio para os dias atuais?
Pe. Giovanni: Padre Pio disse que faria muito mais "barulho" depois de morto do que em vida. Ou seja, ele está atuando ainda mais agora. Ele também afirmou que não entraria no Céu, mas ficaria na porta até que o último de seus filhos entrasse. Quanto mais pessoas conhecem Padre Pio, mais elas querem pedir a sua proteção especial. Ele era uma presença de Jesus. Realizou aquilo que disse São Paulo na Carta aos Gálatas: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim" (2,20).
Como nasceu a ideia do livro?
Pe. Giovanni: Nunca encontrei pessoalmente Karl Wagner. Há cinco ou seis anos, fazendo uma limpeza na biblioteca do Seminário Xaveriano de Londrina, encontrei um libreto, traduzido pelos freis brasileiros e copiado de maneira rudimentar. Vi que tinha nas mãos uma pedra preciosa, desconhecida por todos.
Certa vez fui convidado para fazer uma bênção na casa de uma família, que possuía uma pequena gráfica. Conversando sobre a minha vocação, falei sobre o libreto encontrado na biblioteca. A dona da gráfica então disse: "Por que não reunimos as experiências de Karl Wagner e a sua, porque conhecer o Padre Pio mudou vossas vidas! Ele estava para morrer, e foi salvo; o sr. estava para virar piloto de avião e se tornar um padre missionário. É importante que as pessoas conheçam essas histórias." Assim, essa família me convenceu a publicar o livro.
Por que o livro enfatiza a importância das vocações?
Pe. Giovanni: O mundo está com fome, não somente de alimento material, mas de conhecer a palavra de Deus, o Deus de amor, bondade e misericórdia. O Deus da Eucaristia. Por isso, é preciso incentivar as vocações religiosas. Precisamos de pessoas que digam um "sim" generoso ao chamado de Deus e não façam como eu, que bobeei três anos e só disse "sim" graças ao Padre Pio. Muitos jovens sentem o chamado, mas não encontram quem os ajude a dizer "sim", pois o mundo os desaconselha a seguir a vida religiosa. Não é fácil, no mundo pansexual de hoje, optar por uma vida de castidade e doação. As famílias e paróquias devem incentivar os jovens vocacionados. O mundo precisa de engenheiros, médicos, advogados, professores mas precisa também de padres e irmãs. A pessoa humana tem três tipos de vida: física, psíquica e sobrenatural. Da vida física, quem trata é o médico, o enfermeiro, o profissional de saúde. Para a vida psíquica, também temos profissionais. Mas quem pode curar as feridas da vida sobrenatural, que recebemos no batismo? Sobretudo os sacerdotes. O mundo precisa deles para ser mais feliz.
O senhor conviveu três dias com o Padre Pio e esse pequeno convívio mudou sua vida. Como era a missa celebrada por ele? E como eram as confissões que ele atendia, às vezes 18 horas por dia?
Pe. Giovanni: Na primeira parte da missa, é Jesus que nos fala, com as leituras. A segunda parte é o Memorial. Não se trata apenas de uma recordação do que aconteceu no Calvário: é uma atualização, uma presença viva de Jesus no Calvário e na Ressurreição. Padre Pio encarnava esses mistérios. Como confessor, Padre Pio era terno e bondoso com quem era sincero. Mas também era bem severo com quem brincava. Comigo, ele foi muito firme. Em 1957, no confessionário, eu disse a ele: "Padre, às vezes me vem a tentação de entrar no seminário das missões". Ele me olhou fixo nos olhos e disse: "Que tentação?! Faz três anos que está rejeitando o chamado de Deus!" Em vários casos, quando alguém não estava suficientemente arrependida, ele mandava a pessoa embora do confessionário. Todos voltavam. Rezavam, sofriam e voltavam com disposições corretas. Aí sim ele os recebia para a confissão. Houve o caso de um menino de dez anos que apareceu no confessionário. Imediatamente Padre Pio disse: "Vá embora e diga a seu pai que o Padre Pio quer falar com ele". O pai havia se recusado a entrar na igreja. Quando o menino foi dar o recado, o homem começou a chorar e se pôs de joelhos diante do Padre Pio. É que o menino era surdo-mudo e havia falado pela primeira vez ao dar aquele recado. São centenas, milhares de casos semelhantes. E esses milagres continuam acontecendo.
Por que o mundo precisa de milagres?
Pe. Giovanni: O mundo precisa de milagres como sinais. Sinais de que existe outra realidade além do mundo palpável, sensível. O milagre é a ligação entre o mundo natural e o sobrenatural.
Qual é a mensagem do Padre Pio para o mundo de hoje, tão conturbado e atemorizado?
Pe. Giovanni: Devemos confiar no infinito amor de Deus que sempre está pronto a perdoar e a dar uma nova chance na vida. Nunca dizer que tudo está perdido. Há sempre a chance de recomeçar. Quando Jesus perdoa, ele esquece totalmente o passado. O amor de Deus é maior que nossa fraqueza. Precisamos confiar na infinita misericórdia divina. Se Judas tivesse pedido perdão, teria sido perdoado. Jesus foi crucificado ao lado de dois ladrocidas. Um pediu perdão e está ao lado de Jesus no Paraíso. Se o outro tivesse feito o mesmo, também estaria salvo. Sempre é possível recomeçar uma vida melhor de amor a Deus e amor ao próximo.
Serviço Lançamento do livro "Padre Pio mudou nossas vidas" hoje, às 14h30, no Seminário Xaveriano de Londrina (Av. Dez de Dezembro, 570)
Fale com o colunista: [email protected]


