Imagem ilustrativa da imagem Sangue, suor e lágrimas de uma família
| Foto: Acervo familiar



O Sr. Hélio estava jogando bola com o neto Gabriel, de 5 anos, em um campinho perto das ruas Remo Ferrarese e Spartaco Ferrarese, na zona norte de Londrina. O escritor Wilhan Santin aproximou-se para conversar. Quando Wilhan perguntou ao avô do menino se sabia quem tinham sido Spartaco e Remo, o homem não soube responder. "Talvez tenham sido políticos importantes", disse.

O escritor esclareceu:

"Não, seu Hélio, eles foram pioneiros."

"O que é pioneiro, vô?", perguntou o menino.

O homem respondeu com emoção:

"Pioneiro, meu neto, é alguém muito mais importante que qualquer político."

O livro "A História dos Ferrarese", de Wilhan Santin, que tive a alegria de ler neste final de semana, conta a saga de uma família italiana que inscreveu seu nome nas páginas do pioneirismo de Londrina e do Norte do Paraná, e cujos descendentes até hoje exercem um papel importante em nossa comunidade.

A trajetória dos Ferrarese em terras brasileiras começou no dia 14 de março de 1911, uma Sexta-Feira Santa, quando o navio Regina Elena desembarcou no porto de Santos, trazendo entre os passageiros o imigrante italiano Primo Ferrarese, veterano da guerra etíope-italiana, e seus familiares.

Remo e Spartaco, filhos desse imigrante, vieram em 1936 para Londrina, atraídos pela promessa de uma nova vida nos solos férteis do Eldorado paranaense. Desde os tempos bíblicos, ninguém busca a Terra Prometida sem enfrentar severas dificuldades. Com os Ferrarese, não foi diferente. Ainda nos anos 30, eles montaram uma serraria com o nome da família, de início no núcleo urbano de Londrina, depois transferindo-a para uma localidade denominada de Marrecas, hoje conhecida como Distrito de Irerê.

É interessante notar que os irmãos Ferrarese, enquanto lutavam para criar suas famílias, trabalharam com o comércio de madeira, depois participaram do ciclo cafeeiro e por fim, nas pessoas de seus filhos e netos, protagonizaram a terceira onda de Londrina: a produção de conhecimento. Silvandira e Alderi, respectivamente filhos de Remo e Spartaco, estiveram presentes em marcos da nossa educação. Silvandira foi uma das primeiras alunas do Colégio Mãe de Deus, pertenceu à primeira turma ginasial do Colégio Londrinense e à primeira turma da Escola de Professores, que deu origem ao IEEL. Alderi, formado na primeira turma de Matemática pela UEL, é um dos fundadores do Colégio Universitário e da Escola Every. Os dois netos do nonno Primo foram os revisores históricos do livro.

Os trabalhadores geraram educadores. Quando você passar diante de uma casa de madeira ou de uma escola em Londrina, saiba que ali existem gotas de suor, sangue e lágrimas da família Ferrarese.

Fale com o colunista: [email protected]

mockup