Ricos contra pobres
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
por Paulo Briguet 

Durante muitos anos de cegueira ideológica, participei do linchamento moral de homens empresarialmente bem-sucedidos que desejaram entrar para a política. No Paraná, um dos principais alvos desse processo foi José Eduardo de Andrade Vieira. Em São Paulo, Antônio Ermírio de Moraes. Todos os dias eu peço a Deus desculpas por ter jogado minhas pedrinhas verbais nesses bons homens, verdadeiramente patriotas, e em tantos outros. Fiz isso teleguiado pelos esquerdistas; para estes, um empresário só é bom se colabora com o "projeto de poder" do partido.
Quando chega a época de eleição, o fenômeno volta a acontecer. "Ricos contra pobres", "o tostão contra o milhão", "trabalhador contra patrão": eis a mesma lógica que conduziu o nosso país à atual ruína, pois, como dizia Margaret Thatcher, o socialismo só dura até acabar o dinheiro dos outros.
Aí aparece candidato pegando ônibus lotado, alugando casa na periferia, mandando a mulher varrer a calçada no bairro pobre... Com poucas mudanças, é sempre a mesma história. (Não digo ladainha porque ladainha é uma coisa boa e santa.)
Aqueles que verdadeiramente enriquecem com a política, aqueles que se beneficiam com a corrupção não são apenas milionários, mas bilionários, e com o dinheiro dos outros. O curioso é que esses ricaços aderem fortemente ao discurso contra os bem-sucedidos. Se questionados sobre algum eventual luxo, dizem: "Não é nada meu". Nem sítios, nem apartamentos, nem fazendas, nem contas na Suíça. É tudo de "amigos".
Um das estratégias preferidas dos corruptos de todos os matizes é colocar os pobres contra os ricos. Trata-se da velha e sanguinária luta de classes: dividir para reinar. As grandes almas corruptas do mundo moderno Mao, Stálin, Hitler, Mussolini, Lênin, Pol Pot, Fidel Castro semearam exatamente esse conflito para que pudessem acumular poder. A luta de classes transforma o sentimento de inveja no motor da história. E a inveja, como bem sabem 100 milhões de vítimas, é o outro nome da esquerda.
"O problema do Brasil são as pessoas ricas", disse uma famosa atriz que ganhou 200 mil dólares para atuar em um filme. A mesma atriz faz campanha em favor do aborto e contra o que chama de "golpe" o impeachment de Dilma Rousseff. O problema do Brasil, é claro, são as outras pessoas ricas.
Há muito tempo a esquerda descobriu que a melhor forma de combater o capitalismo não está na revolução das armas, mas nas armas da revolução: aumento da carga tributária, corrupção e inflação. Por sinal, existe uma excelente definição de inflação: é quando todos são milionários e mendigos ao mesmo tempo.
O mais importante na eleição de 2016 não é que este ou aquele candidato vença: é derrotar o poder da esquerda essa mesma esquerda que, por estar meio em baixa nas pesquisas, anda pegando carona e fazendo acordos com candidaturas e coligações mais viáveis. Precisamos acabar com a organização criminosa que se passa por legendas partidárias, especialmente aquela que todo mundo sabe qual é, não preciso dizer o nome. Se não entendermos isso, não entenderemos nada.
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