Reféns de Lula

Uma obra imortal como "A Divina Comédia" pode ser lida como retrato fiel de qualquer tempo histórico inclusive o nosso. Embora Dante tenha escrito seu poema no início do século 14, portanto há 700 anos, os seus versos continuam valendo para descrever o mundo atual. Há um caráter profético e atemporal na grande literatura.
Veja-se, por exemplo, a descrição do nono e último círculo do Inferno, onde são colocados os traidores. Tal círculo se divide em quatro partes, chamadas Caína, Antenora, Ptolomeia e Judeca. Na Caína, ficam os traidores da família (como Caim, assassino de Abel). Na Antenora, ficam os traidores da pátria (como Antenor, o traidor do reino de Troia). Na Ptolomeia, ficam os traidores dos hóspedes (como o sangrento Ptolomeu do Egito). Finalmente, na Judeca, ficam os traidores dos benfeitores (como Judas, o traidor de Jesus).
Em nosso país, nos últimos dias, temos visto em ação a Segunda Turma do último círculo infernal. Neste último domingo, o Brasil acordou com mais um ato digno dos habitantes da Antenora: a ordem para a soltura de Lula. Depois da libertação do comandante José Dirceu e alguém acha que foi por acaso? , somos atingidos por mais essa bomba.
Objetivamente, a infame decisão do juiz plantonista não libertaria somente um criminoso condenado. Libertados seriam, juntamente com Lula, as forças da mentira e da corrupção que pretendem tomar conta do país inteiro.
Não se trata apenas de soltar Lula, mas de tornar o Brasil seu refém. Porque, para esses militantes, espalhados em todas as esferas do poder, a inversão da realidade é o que existe de mais sagrado. Não lhes basta negar a verdade; eles precisam tornar a mentira obrigatória. Não lhes basta soltar criminoso; eles precisam transformá-lo em herói; não lhes basta justificar a corrupção, eles precisam transformá-la na nova integridade.
A libertação de Lula não significa apenas a impunidade de um criminoso, mas conduzirá à criminalização de todos nós. Não me canso de repetir: um país que inocenta os seus criminosos fatalmente acabará criminalizando os seus inocentes. Foi assim em todas as sociedades coletivistas e revolucionárias dos últimos 100 anos: a Rússia de Lênin e Stálin; a Alemanha de Hitler; a China de Mao, o Cambodja de Pol Pot, a Romênia de Ceausescu, a Cuba de Fidel e Che, a Venezuela de Chávez e Maduro. Deixaremos que nosso país seja para sempre associado ao nome de um criminoso?
Espero, em Deus, que a decisão irresponsável do juiz plantonista por 20 anos filiado ao PT seja atirada à lata de lixo da história. Caso contrário, meus sete amigos, preparem-se para o inferno: abrir as portas da cela de Lula será transformar o Brasil em um imenso calabouço dantesco.
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