Imagem ilustrativa da imagem Por quem brilha a Estrela de Belém
| Foto: Padre Romão Martins



Neste domingo, quando desejei "Feliz Dia de Reis" à médica Bernadette Daou, o coração de minha amiga se encheu de lembranças. Lembranças do tempo de menina, em que sua mãe, Marie, fazia awamat para a vizinhança no bairro do Jaçanã, em São Paulo. Doce tradicional do Líbano, o awamat é um bolinho de massa frita, depois jogado na calda de açúcar, caramelado e bem crocante. No dia 6 de janeiro, Marie preparava enormes bacias de awamat e mandava os quatro filhos distribuírem os doces por toda a vizinhança. O ato de generosidade de Marie era uma espécie de marcador oficial do tempo naquela casa: depois da distribuição do awamat, o presépio era desmontado e começava realmente o ano. "Marie era um ser natalino, uma estrela-guia para todos nós", diz minha amiga, com emoção e saudade. Até hoje, as duas irmãs mais novas de Bernadette mantêm a tradição de preparar o awamat no Dia de Reis.

De fato, o Dia de Reis é uma festa da generosidade. Os três presentes levados pelos Magos do Oriente simbolizam os dons que Jesus Cristo ofereceu a todos nós: sua realeza (ouro), sua divindidade (ouro) e sua humanidade (mirra). O menino da manjedoura é, ao mesmo tempo, Rei, Deus e Homem.

Conforme os relatos bíblicos, os Magos do Oriente seguiram uma estrela desde as terras em que habitavam até a pequena cidade de Belém. Um detalhe importante é que só eles pareciam capazes de observar a estrela; provavelmente eram estudiosos dos movimentos celestes. Em nenhum momento os autores dos Evangelhos usam a palavra "reis" para designar os visitantes adoradores do Menino Jesus. Mas podemos concluir que eles eram figuras proeminentes em seus lugares de origem, já que antes foram recebidos pelo rei Herodes. Talvez fossem personagens semelhantes ao rei-filósofo idealizado por Platão, respeitados não por seu poder, mas por sua sabedoria. Sem dúvida, pertenciam à primeira casta, sacerdotal.

Como todos sabem, o nosso tempo cronológico é contado a partir do presumível ano do nascimento de Jesus. Ele, portanto, é a Estrela de Belém que se oferece como dádiva a cada um de nós individualmente. Seguimos a Estrela de Belém quando atribuímos sentido à vida por meio do amor ao próximo.

Neste Natal, o Padre Romão Martins, da Paróquia São Vicente de Paulo, estava saindo da missa quando encontrou um jovem casal na rua; caminhavam ao Sol, à procura de um trabalho, e a mãe levava nos braços um bebê. Naquela pequena e pobre família, Padre Romão viu uma imagem de Jesus, Maria e José. Decidiu ajudá-los. Na missa do Dia de Reis, eles representaram a família de Belém. E agora, a comunidade de nossa paróquia vai presenteá-los com um lar.

A Estrela de Belém continua brilhando: basta olhar para ela.

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