Um dos meus filmes preferidos é "A felicidade não se compra", de Frank Capra (1946). Conta a história de George Bailey (interpretado pelo grande James Stewart), um empresário e pai de família que vive de fazer o bem para os outros. No entanto, ao passar por um período de sérias dificuldades, o bom homem repete a lamentação de Jó na Bíblia: "Melhor seria eu não ter nascido!" Nessa hora, do Céu desce um anjo e mostra a Bailey como seria a sua cidade se ele não houvesse nascido. Imediatamente ele se arrepende do que disse e ganha uma segunda chance.
O mesmo acontece conosco. Tenho certeza de que Londrina não seria nem a sombra do que é não fosse a presença de algumas pessoas e instituições como a Acil, a Companhia de Terras, a Folha de Londrina, o Hospital do Câncer, a Santa Casa, a Sociedade Rural. Mas essa realidade não se limita aos grandes personagens e instituições: até mesmo eu e você, caro leitor, temos as nossas missões pessoais, e o mundo será diferente (e pior) se não as cumprirmos.

Imagem ilustrativa da imagem Páscoa e Antipáscoa
| Foto: Shutterstock



O sentido da nossa vida, contudo, nunca está em nós mesmos, mas sim em outro alguém. É por isso que a felicidade não se compra: ela é uma doação espontânea, feita com o coração nas mãos. Como ensinava Dr. Viktor Frankl, sobrevivente de Auschwitz, de nada adianta lutar unicamente para "ser feliz"; a felicidade é, por assim dizer, o subproduto da busca por um sentido na vida. Quanto mais a buscamos, mais ela foge. Quando tentamos realizar uma obra ou fazer o bem para o próximo, ela surge espontaneamente.
Pensei nisso enquanto lia, neste final de semana, o livro "Amor Maior — Um Relato da Páscoa", que meu amigo Ely Torresin vai lançar nos próximos dias. Professor, palestrante, comunicador e ministro cristão, Ely é neto de Dolly Jess Torresin (1915-1994), uma das personagens mais fascinantes da educação londrinense.
Em poucas páginas, "Amor Maior" nos faz pensar na importância da Páscoa para a vida de todos nós. Se Jesus não tivesse ressuscitado, qual seria o destino do mundo? Estaríamos completamente imersos nas trevas, sem qualquer tipo de esperança. Nosso destino seria o completo abandono às leis do egoísmo e da força.
Ao evocar a origem da comemoração pascal na libertação do povo judeu conduzido por Moisés, Ely Torresin ressalta que a Páscoa não é apenas um acontecimento: ela é um caminho – e quase sempre um caminho de exílio. Na perspectiva cristã, a alegria da ressurreição necessariamente passa pelo sofrimento da cruz. Escreve o autor: "O que é a verdade? A verdade não é um fato ou um conceito. É uma pessoa. Jesus é a verdade".
No mundo de hoje, marcado por uma guerra espiritual entre a Páscoa e a Antipáscoa, o pequeno livro do neto de Mrs. Dolly nos aponta para a necessidade de escolher a estrada pascal, não como uma simples comemoração no calendário, mas vivendo-a plenamente. "Perdão para os pecados, salvação, vida plena, vida eterna com Deus. É isso que a Páscoa significa. Foi para isso que Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou."
Essa felicidade não é algo que se compra; é algo que se é.

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