Neste Domingo de Páscoa, após a missa da manhã, procuramos o querido padre Rafael Solano para que ele fizesse uma bênção especial ao Pedro, aniversariante do dia. Com a costumeira gentileza colombiana, o padre explicou-nos que o verbo "abençoar" tem também o sentido de abraçar. E deu um abraço no Pedro, explicando que Jesus estava fazendo o mesmo. Exatamente naquela hora, sete anos atrás, nosso amado filho estava nascendo.

Não me havia ocorrido que outra pessoa especial fazia aniversário nesta Páscoa: o papa emérito Bento XVI, que completou 90 anos. Joseph Ratzinger carrega a bênção no próprio nome que escolheu: Benedictus, em homenagem a São Bento (480-547), um dos personagens mais importantes da história do cristianismo e da civilização. Grande parte do que há de bom, belo e justo em nosso mundo tem a marca de São Bento. O papa emérito é um continuador dessa obra magnífica.

Imagem ilustrativa da imagem Papa Bento, 90 anos
| Foto: Shutterstock



Diferentemente do seu antecessor S. João Paulo (de quem foi amigo e braço direito) e do atual papa Francisco (a quem sempre dedicou afeto e admiração), Ratzinger não é um homem carismático, capaz de comover multidões. Seus lugares naturais, além do altar, são a cátedra, a biblioteca, a sala de aula. É um doutor da Igreja, o maior intelectual vivo do planeta (pelo menos na opinião deste cronista caipira). A obra "Jesus de Nazaré" deveria ser lida por todas as pessoas interessadas na vida espiritual, não apenas os católicos.

Grande inimigo do relativismo moral e da cultura da morte, Bento XVI descortinou profeticamente as dificuldades que o mundo atravessa hoje. Sua conferência na Universidade de Ratisbona, atacada por muitos e lida por pouquíssimos, antecipa com uma lucidez desconcertante os males que povoam as manchetes. Não é por acaso que o nome Bento significa, em latim, bendizer e dizer bem. Foi isso que Ratzinger fez a vida inteira, antes de se retirar para a vida monástica.

Até hoje poucos entendem ou querem entender a renúncia de Bento ao Trono de São Pedro, em 2013. Nosso mundo corrompido simplesmente não acredita que um homem possa renunciar ao poder, quando foi exatamente isso que Jesus fez no Getsêmani e no Gólgota. A grandeza da renúncia é algo que está muito além da mentalidade materialista e egomaníaca da modernidade.

Enquanto isso, Bento reza por nós. De seu retiro monástico, ele contempla as turbulências do mundo e aguarda, com esperança, as alegrias do Céu. Aguardo ansiosamente a leitura de seu livro mais recente, "Último Testamento", uma longa entrevista do papa emérito ao jornalista Peter Seewald. Segundo um amigo, o poeta Hugo Langone, que leu e resenhou a obra, as palavras do nonagenário Bento XVI decepcionam os intrigantes e fascinam os esperançosos.

Esperança é a palavra que me vem à mente quando penso no papa Bento XVI e no seu xará de aniversário, o Pedro. Outro dia, escrevi em meu caderninho de anotações:

— O que para você vale a própria vida?

Pois o Pedro desenhou, na mesma página, um crucifixo, e respondeu em letras grandes:

— CRISTO.

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