Imagem ilustrativa da imagem Ouro Verde é de Londrina!
| Foto: Ricardo Chicarelli


Na última sexta-feira (30), a FOLHA publicou na seção "Espaço Aberto" um excelente artigo do engenheiro e escritor José Pedro da Rocha Neto sobre a história do Cine Teatro Ouro Verde, reinaugurado naquele dia. Já que o autor, talvez por humildade, deixou de mencionar uma informação importante, faço-o aqui: José Pedro é o proprietário e diretor da Regional Engenharia, empresa responsável pela reconstrução do Ouro Verde. Só por esse feito, ele merece o aplauso de todos nós.

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Merece também aplauso o Sindicato das Indústrias de Construção Civil de Londrina (Sinduscon), que custeou com recursos próprios todos os projetos necessários para que a obra pudesse ser iniciada, com recursos do governo do Estado. Renomados profissionais de Londrina e região assinaram os projetos arquitetônico, estrutural metálico, estrutural em concreto, elétrico de alta tensão, elétrico de instalações prediais, elétrico de alarme de incêndio, cenoacústico, de climatização, hidro-sanitário e de prevenção de incêndio. Todos eles são artistas técnicos que fizeram o bem à nossa cidade.

Londrina, como vocês sete sabem, nasceu graças ao projeto de uma empresa privada, a Companhia de Terras Norte do Paraná. O Ouro Verde, um dos maiores símbolos da cidade, também nasceu como uma iniciativa empresarial de Celso Garcia Cid e de seus sócios Jordão Santoro e Ângelo Pesarini. O espírito empreendedor está em nosso sangue.

Em 1978, conforme narrou o jornalista Walmor Macarini em outro ótimo artigo, o Ouro Verde esteve prestes a ser vendido para o Grupo Itaú e virar agência bancária. Foi salvo desse incêndio sem fogo pelo escritor e artista gráfico Cleto de Assis, um homem a quem a cidade deve muito.

Quando entrei pela primeira vez no Ouro Verde reconstruído, alguns meses atrás, senti uma das maiores emoções da minha vida. Foi um daqueles momentos em que o tempo se esquece de que é irrevogável e concorda em revisitar a si mesmo. Voltei ao ano de 1990, quando assisti ao filme "Cinema Paradiso", de Giuseppe Tornatore, no qual, aliás, uma sala de cinema pega fogo, o que deixa cego o protagonista. Entrar no Ouro Verde agora é como se o projetista Totó voltasse a enxergar.

Vocês sete sabem que eu gosto de falar sobre o significado dos nomes. José Pedro da Rocha tem um daqueles nomes que dariam livro (talvez um dos vários livros que ele escreveu). José é o nome de um dos grandes patriarcas de Israel (o homem dos sonhos) e do pai adotivo de Jesus Cristo (o silencioso marceneiro de Nazaré). Pedro e Rocha são nomes que parecem reforçar um ao outro, e me fazem lembrar a retumbante passagem do Sermão da Montanha: "Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha".

Quando me perguntam, digo que não sou capitalista, nem socialista: sou londrinista. O Ouro Verde não é do governo, nem da universidade, nem dos manifestantes disto ou daquilo. O Ouro Verde foi reconstruído sobre a rocha — ele é de Londrina.

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