Imagem ilustrativa da imagem Os que limpam e os que sujam
| Foto: Fábio Alcover/15-11-2016



Nas noites dos finais de semana, muitas vezes sou acordado por carros que passam pela rua com som em altíssimo volume. Lamento pelos vizinhos que possam ter perdido o sono, especialmente os idosos e as crianças, mas não me irrito. Vou até a janela e procuro escutar o que dizem as letras das músicas. De tão ridículas, acho-as engraçadas, e gosto de decorá-las para cantar no chuveiro e dar risada sozinho. A Rosângela me chama de maluco, e eu devo ser mesmo.

Moramos há nove anos neste apartamento. De lá para cá, nunca ouvi uma só música que prestasse nos carros da madrugada. Parece haver uma relação direta entre a potência do som e o mau gosto musical do proprietário. Não estou dizendo que eles deveriam ouvir Beethoven; mas não rola nem um Dorival Caimmy...

Do mesmo modo, tenho acompanhado todas as pichações que têm desfigurado nossa cidade; nos últimos tempos, vejo com especial interesse as pichações no campus da UEL. O resultado é o mesmo dos raps da madrugada: só tem coisa ruim. Não há uma frase que se salve, um desenho que se evidencie, uma imagem que se destaque, uma mensagem que faça pensar. O deserto mental dos vândalos é absoluto.

Então, por favor, não me venham dizer que pichação é arte. Não me venham com a conversa de que é preciso respeitar a liberdade de expressão dos vândalos. Pichação não é caso de política, é caso de polícia. Enquanto a polícia não vem, ou não a deixam entrar no campus, a única resposta é aquela que os Filhos da UEL deram: limpar a sujeira nas paredes da universidade. Quem defende pichador não é filho da UEL, é cúmplice de delinquência.

A toda ética, corresponde uma estética. A ética dos que dominaram o Brasil por 13 anos está sendo revelada pela Operação Lava Jato; a estética é isso aí que vocês estão vendo. Para quem destruiu um país, acabar com uma universidade é fichinha.

Assim como rap de estourar tímpano não é música, assim como pichação não é arte, invasão e vandalismo em prédio público não constituem exercício da democracia. Greve em serviços essenciais não é direito do trabalhador; muito ao contrário, é uma afronta aos verdadeiros trabalhadores, que dependem dos serviços públicos para sobreviver. Se um trabalhador que deixa de ser atendido soubesse quanto ganha um professor universitário grevista, acho que ele não ficaria contente. E também não ficaria contente ao saber que a pauta dos sindicatos prende-se mais a questões político-partidárias do que às verdadeiras necessidades da instituição.

Os Filhos da UEL estão arrecadando latas de tinta acrílica para fazer um grande mutirão de limpeza nas paredes da universidade. Peço aos sete leitores da Avenida Paraná que colaborem com essa campanha. Muito mais do que a simples limpeza do campus, o gesto dos estudantes que querem estudar, solidários aos professores que querem dar aula, representa uma nova fase na história da nossa universidade.

Afinal, estamos ao lado dos cúmplices que sujam ou dos filhos que limpam?

Fale com o colunista: [email protected]

mockup