Quando minha mãe me pegava fazendo alguma arte, a desculpa que eu costumava dar era a seguinte:
- Mas os outros também fazem isso...
A resposta vinha cortante:
- Os outros não são meus filhos.
Quando algum aliado do governo é pego fazendo coisa errada, de nada adianta dizer que o pessoal do PT e PSDB fazia coisa muito pior.
Pode até ser verdade, mas os outros não são meus filhos.

Imagem ilustrativa da imagem Os outros não são meus filhos
| Foto: Shutterstock



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Collor foi cassado porque comprou um Fiat Elba.
FHC aprovou a reeleição e não foi cassado.
Lula fez o mensalão e não foi cassado.
Dilma foi cassada porque desviou bilhões dos bancos públicos.
Bolsonaro é caçado.

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Democracia é quando o governo do país tem corrupção. Socialismo é quando a corrupção governa o país.

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Opinião de um amigo:
"A prática da 'caixinha' é quase universal, e creio que ele simplesmente fez o mesmo que todos faziam. Era pra ter sido forte e dito 'não' desde o princípio. Claro que não podemos perder o senso das proporções. O fato é grave, mas não há equivalência moral com o que o PT fez."

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Nos últimos 15 anos, tenho combatido a esquerda sem trégua. Assumi ser conservador no tempo em que isso equivalia a uma completa maldição. Lembro-me muito bem: Lula com 87% de popularidade, and counting, e eu elogiando Olavo de Carvalho. Poucos podem fazer ideia de como era difícil confessar-se de direita em uma sociedade completamente esquerdizada.

Perdi muitas amizades. Fui xingado, ridicularizado, perseguido. Pediram minha cabeça inúmeras vezes. Os velhos companheiros esquerdistas, na melhor das hipóteses, diziam que eu estava louco; na pior, chamavam-me de traidor (como chamam até hoje).
Tenho visto a sórdida campanha midiática contra o governo Bolsonaro, e não esperava outra coisa. Saí em defesa de Ricardo Vélez, de Ernesto Araújo, de Damares Alves, de Murilo Meneses, de Carlos Nadalim - e sairei em defesa de qualquer membro deste governo que venha a ser injustiçado. Sofri na pele aquilo que eles estão sofrendo (eles de modo mais intenso e violento, é claro).

Por isso, não admito ser chamado de inimigo ou de esquerdista por eventualmente fazer críticas a aliados do governo. O verdadeiro amigo é aquele que sabe a hora de dizer não, de contrariar, de criticar. A sinceridade é sempre melhor do que a submissão.
Certa vez, Aristóteles disse: "Sou amigo de Platão, mas sou mais amigo da verdade". Sigamos o exemplo do grande sábio. Porque, ao final, todos sabemos que essa amiga é quem nos libertará.

Fale com o colunista: [email protected]

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