Imagem ilustrativa da imagem Os milagres de D. Albano
| Foto: Marcos Zanutto



"O pecado confessado se transfigura em consciência, a consciência em humildade, a humildade em amor ao próximo."
(Olavo de Carvalho)

No começo da semana fui passear no Bosque de Madre Leônia e a Irmã Aparecida me mostrou o confessionário que a santa de Londrina frequentava regularmente. Se Madre Leônia achava necessário fazer confissão sempre, que diríamos nós, pecadores diuturnos?

A imagem do confessionário de Madre Leônia — um móvel antigo, simples e rústico — me comoveu profundamente. Fiquei pensando na nossa santa ajoelhando-se ali e vasculhando a própria alma em busca de erros que, para nós outros, são tão comuns quanto o próprio ato da respiração.

Olhei para aquele móvel e lembrei que há tempos não me confesso. Pensei que seria ótimo fazer a confissão com um bispo da Igreja, colocando meus muitos pecados diante do meu querido amigo Dom Albano Cavallin.

Infelizmente não foi possível. D. Albano nos deixou na quarta-feira, antes que eu pudesse frequentar esse indispensável sacramento pelas mãos e ouvidos dele.

Fiquei pensando, então, numa das mais incríveis capacidades de D. Albano: o seu dom de estar presente na hora em que mais precisávamos.

No ano de 1998, durante o movimento cívico Pé-Vermelho Mãos Limpas, a cidade passava por um momento gravíssimo, com pesadas acusações de desvios de recursos públicos contra o então prefeito e sua administração. Estávamos em uma tensa reunião, no Tribunal do Júri, meio sem saber o que fazer diante do mar de lama que nos sufocava, quando alguém entra no recinto. Era D. Albano. A partir daquele momento, eu tive a certeza de que nós venceríamos a luta.

Pouco tempo atrás, quando alguns militantes, agora devidamente escorraçados pelas urnas, tentaram empurrar goela abaixo da população o projeto da ideologia de gênero nas escolas municipais, aconteceu a mesmíssima coisa. Na hora em que todos os ânimos estavam tensos, o agora octogenário D. Albano apareceu na Câmara de Vereadores. A presença do velho arcebispo serenou a todos e livrou as nossas crianças da famigerada ideologia de gênero.

D. Albano era um homem extremante doce e gentil, suas histórias apologéticas comoviam a todos, mas ele não deixava de dizer o que pensava com clareza e convicção, mesmo que desagradasse a alguns. Houve uma vez, na celebração de 100 anos da Aliança de Amor do Padre Kentenich, em que ele teceu duríssimas críticas à política do governo federal em saúde e educação. Nem todo mundo se agradou.

Rememoro ainda uma ocasião em que D. Albano disse-me palavras sobre a "saudade do Céu" que me ajudaram a enfrentar uma das maiores dores que senti: a perda do meu primeiro filhinho, ainda no começo da gestação, em 2008. Esse irmãozinho mais velho do Pedro agora está lá com D. Albano, conversando sobre os milagres — sim, a consolação é um grande milagre — que o nosso querido arcebispo fez e continuará fazendo, lá da Casa de Deus.

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