Os frutos do vosso ventre
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
por Paulo Briguet 

Dom Albano certa vez me contou uma de suas historinhas: São Pedro estava dando uma volta pelo Céu e notou a presença de muitas pessoas que não haviam passado pela porta de entrada. Na mesma ronda, encontrou um pequeno vão na parede do Céu e, pendurada ali, uma corda com várias contas. Foi avisar Jesus, que apenas disse:
Deixa pra lá, Pedro. Isso é coisa da minha Mãe!
É claro que a historinha de Dom Albano se refere ao terço, oração muito querida por nós católicos. Alguns amigos dão risada quando eu digo que rezo o terço todos os dias, mas eles não sabem o que estão perdendo. Rezar o terço tem sido para mim uma fonte inesgotável de alegrias e consolações.
Um dos benefícios do terço é a renovação da esperança essa mesma esperança que vem sendo tão maltratada em nosso mundo. Na última quarta-feira, vivi um daqueles raros momentos em que a esperança brilha em toda sua magnitude. Apesar de meus 46 anos, fui convidado a participar do Terço Jovem, organizado por grupos católicos da cidade. Sei que a minha presença de tiozão elevou um pouquinho a média etária do evento, mas foi quase nada, porque eu era apenas um entre mil isso mesmo, mil jovens reunidos na Paróquia Dom Bosco exclusivamente para louvar a Deus.
Rezar o terço junto com mil pessoas faz lembrar que nunca, em hipótese alguma, estamos orando sozinhos. E então eu me recordo dos imortais versos de Rilke:
Quem anda agora em algum lugar do mundo,
sem razão anda no mundo,
vem para mim.
Depois de rezar o terço com os mil jovens, pensei na mãe paranaense que deu à luz um casal de gêmeos, mesmo estando em morte cerebral desde o segundo mês de gestação. Poucas vezes se vê uma união tão harmônica entre a ciência e a família, o reino da razão e o reino do coração. Pareceu-me uma perfeita demonstração do que São João Paulo II disse em sua encíclica "Fides et Ratio" (Fé e Razão).
Penso que um elogio caloroso deve ser feito ao Hospital Nossa Senhora do Rocio, de Campo Largo. A decisão da equipe médica com mais de 20 profissionais envolvidos merece os aplausos de todos nós. Do ponto de vista técnico, não deve ser nada fácil fazer o que eles fizeram. Não por acaso, o hospital que comoveu o Brasil leva o nome da padroeira do Paraná, a mesma Maria cujo nome pronunciamos cem vezes nos mistérios do terço.
Agora vou rezar, intensamente, pela saúde dos gêmeos Vitória e Azaphe, que nasceram prematuros. E também me lembrarei, em minhas orações, de Frankielen Zampolin, jovem de apenas 21 anos, a mãe das duas crianças. Essa mãe realizou o pleno sentido da Cruz, ao fazer a vida vencer a morte. Perdoe-me, querido Rilke, mas peço seus versos emprestados para dizer:
Quem nasce agora em algum lugar do mundo,
com razão nasce no mundo,
olha pra mim.
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