Os dois caminhos da educação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de agosto de 2018
Paulo Briguet 

1. Nesta semana tive uma boa surpresa. Depois da crônica publicada aqui na Avenida Paraná em 30 de julho, pintaram de bege o muro da escola e apagaram a tenebrosa frase com erro de português. Olha as crianças que é (sic) nosso futuro e nossa esperança. Aproveitaram para apagar também outras pichações e desenhos mal feitos que poluíam visualmente o local. De fato, a tinta bege é preferível a boa parte dos rabiscos e grafites que vemos por toda cidade.
2. Amigos me avisaram que a tal frase é letra de um famoso grupo de rap. A que ponto chegou o declínio da cultura brasileira! Em um país que tem Bandeira, Machado, Euclides, Drummond, Cecília, Cruz e Souza, Millôr, Rubem Braga... escolhem uma letra de rap para escrever no muro da escola.
3. Dizem que o referido grupo muito apreciado pela militância esquerdista tem letras que denunciam a injustiça social e defende aquele senhor que se encontra preso em Curitiba. Por que eu não me surpreendo? Brecht falava no analfabeto político; nosso tempo inventou o analfabeto politizado.
4. Bem diferente seria se a escola fosse dirigida pelo professor Carlos Nadalim, recente ganhador do Prêmio Darcy Ribeiro de Educação. Em vez de letras de rap, as crianças conheceriam versos dos clássicos da língua portuguesa. Lembrei-me de Nadalim porque ele está passando um período na Virgínia (EUA), para aprimorar seus conhecimentos com o maior filósofo brasileiro vivo, Olavo de Carvalho. Nadalim e Olavo me fazem pensar que nem tudo está perdido na cultura brasileira.
5. Se fosse o muro da AME (Associação Mãos Estendidas) não haveria problema com as pichações e grafites no muro. E por motivo muito simples: na sede do projeto desenvolvido há 15 anos no Jardim Novo Amparo, o muro é transparente. Meu amigo Aldo Pedalino coordena ali um trabalho que beneficia a população do bairro, atendendo diariamente 100 crianças, servindo 400 refeições e oferecendo acompanhamento familiar a mais de 200 pessoas. Um projeto cristão, cujos fundamentos são o respeito, a gratidão, o esforço pessoal, a preocupação com o próximo e a fé.


