Os canalhas também morrem

Durante treze dias, em outubro de 1962, o mundo esteve próximo a uma guerra nuclear com consequências devastadoras para a humanidade. Foi a crise dos mísseis soviéticos em Cuba. Se John Kennedy ou Nikita Kruschev apertassem o botão nuclear, começaria a Terceira Guerra, com a muito provável destruição mútua de todos os envolvidos: Estados Unidos, União Soviética, Europa e Planeta Terra. Como certa vez declarou Einstein, a Quarta Guerra Mundial seria travada com paus e pedras.
De todos os personagens envolvidos na crise, o único que defendeu histrionicamente o uso das armas nucleares foi esse senhor que faleceu na última sexta-feira, aos 90 anos de idade. Sim, ele mesmo: Fidel Castro. O ditador cubano enviou uma carta ao Kruschev, praticamente implorando para que o ditador soviético bombardeasse os EUA com artefatos nucleares. Segundo Fidel, era uma oportunidade única de destruir o inimigo capitalista.
Fidel e seus comparsas estariam, é claro, bem protegidos em seus abrigos nucleares, de onde sonhavam sair para comandar um planeta em ruínas.
A proposta de Fidel era tão absurda que escandalizou até mesmo Kruschev, antigo algoz do regime stalinista na Ucrânia. A resposta do soviético foi a seguinte:
"No seu telegrama de 27 de outubro, você propôs que nós fôssemos os primeiros a realizar um ataque nuclear contra o território inimigo. Naturalmente, você entende aonde isso nos levaria. Isso não seria um simples ataque, mas o início de uma guerra termonuclear mundial. Caro camarada Fidel Castro, acho a sua ideia equivocada, ainda que entenda as suas razões."
Refletindo sobre a morte de Fidel Castro, lembrei-me desse episódio e também de uma frase da escritora Rachel de Queiroz: "Os canalhas também envelhecem".
Envelhecem e morrem.





