Os 100 anos de um crime
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de julho de 2018
por Paulo Briguet 

Para entender a natureza de um processo histórico, é preciso voltar aos seus atos fundadores. A Revolução Russa de 1917 começou com um golpe de Estado e a dissolução de uma Assembleia Constituinte eleita pelo povo. Contudo, o acontecimento que mais prenuncia catástrofes do comunismo no século XX foi o extermínio da família real russa, ocorrido exatamente há 100 anos, em 16 de julho de 1918. Por piores que tenham sido os crimes do czar Nicolau, sua família especialmente as crianças não mereciam um destino tão sangrento.
Para recordar a morte dos Romanov e a gélida recepção da notícia do fuzilamento entre os líderes comunistas, recorro à ajuda do grande escritor Victor Serge em seu excelente livro "O Ano I da Revolução Russa":
"Um operário da fábrica de Verkh-Issetsk, Piotr Zakharovitch Ermakov, foi encarregado, com uma equipe de homens confiáveis, de proceder à execução. Na noite de 15 para 16 de julho, por volta da meia-noite, Nicolau II, a czarina, a czarevicht Alexis, as quatro jovens grã-duquesas, o dr. Botkin, a governanta e o preceptor do ex-herdeiro do trono, dez pessoas ao todo, foram chamadas a se reunir em um cômodo do andar térreo. Esperavam que se tratasse de uma nova transferência. Enfileiraram-se diante de homens armados, um dos quais leu para eles, em nome do soviete (conselho) regional, a sentença de morte que nem tiveram tempo suficiente para compreender. Então, não vamos ser transferidos?, disse Nicolau II, surpreso. Não teve tempo para se recuperar da surpresa. Em poucos instantes, os Romanov não passavam de um monte de cadáveres tombados contra uma parede arrebentada de balas. Um caminhão transportou os despojos, envoltos em cobertores, para uma mina abandonada, a oito verstas (cerca de nove quilômetros) da cidade. Lá, suas roupas foram cuidadosamente revistadas; as das grã-duquesas continham grande número de brilhantes; os cadáveres foram queimados e as cinzas, enterradas em um pântano próximo dali.
(...)
Sverdlov curvando-se sobre Lênin, disse-lhe algumas palavras em voz baixa.
O camarada Sverdlov pede a palavra para uma comunicação, anunciou Lênin.
Sverdlov disse, com sua voz inalterável:
Acabo de saber que Nicolau foi fuzilado em Ekaterimburgo, por ordem do soviete regional. Nicolau pretendia fugir. Os tchecoslovacos se aproximavam. O Bureau Pan-Russo dos Sovietes aprova.
Silêncio.
Lênin disse: Passemos ao exame detalhado do projeto."
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Um ano antes do extermínio dos Romanov, Nossa Senhora disse aos três pastorzinhos em Fátima: "A Rússia espalhará seus erros pelo mundo". Ela estava certa. A primeira revolução comunista levou à morte de 20 milhões de pessoas (sem contar as vítimas em tempo de guerra). Outras revoluções de cunho marxista na China, na África, no Leste Europeu e em Cuba acabariam por superar a cifra de 100 milhões de mortes. O comunismo foi o maior genocídio de todos os tempos; é preciso lembrá-lo para jamais repeti-lo.
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