Imagem ilustrativa da imagem Ódio ao trabalhador
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Volta e meia alguns membros da escola Acadêmicos da Esquerda Falante publicam artigos e dão entrevistas dizendo que o maior problema do Brasil é o "ódio aos pobres". Dizem também que os maiores cultivadores desse ódio seriam justamente os membros da classe média e da classe empreendedora. Na verdade, essa crítica difamatória a milhões de brasileiros iguais a vocês, meus sete leitores, é uma das piores formas de preconceito: aquele que se volta contra as pessoas que mantêm o país vivo; ou seja, à maioria absoluta do povo. Embora Lênin jamais tenha dito "Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é", o que vemos no caso é uma perfeita aplicação da frase. O ódio à classe média nada mais é do que o ódio ao trabalhador: um combustível meio sociológico, meio picareta, para o velho e fedorento motor da luta de classes.

Esse rancoroso ódio contra as pessoas comuns, pretensamente disfarçado com a tinta dos clichês ideológicos (aqueles que vão diretamente do fígado para a boca, sem escalas pelo cérebro ou coração), constitui, no fundo, o velho brado das elites intelectuais apegadas a seus privilégios eternos e suas ilusões intocáveis. Engraçado é que a tal "elite intelectual" funciona como a "ditadura do proletariado": de proletariado e intelectual têm muito pouco, de ditadura e elite têm quase tudo. Engraçado, mas também meio trágico — sociológico, picareta e trágico.

Os Acadêmicos da Esquerda Falante sabem que vocês sete acordam cedo. Eles sabem que vocês sete trabalham muito. Eles sabem que vocês sete geram empregos, serviços e riquezas sem os quais nenhum país sobrevive. Eles sabem que vocês sete têm família para sustentar, boletos para pagar e sonhos para realizar. Eles sabem, acima de tudo, que vocês sete representam a esmagadora maioria dos brasileiros, trabalhadores com diferentes nomes, diferentes rendas, diferentes visões de mundo e diferentes trajetórias — mas igualados pela certeza de que os problemas que enfrentamos não serão resolvidos atribuindo a culpa à "sociedade", à "exploração" e ao "sistema opressor", mas através do esforço e da dedicação pessoal de cada um.

Não há escapatória: se você não reza na cartilha deles, será objeto de ódio eterno. Você pode ser pobre, mulher, negro, gay, jovem, criança, portador de deficiência, dono de um pequeníssimo negócio; se não for um modelo de dedicação ao partido, não pode ser chamado de trabalhador. Mesmo trabalhando muito. Porque trabalhar, para os Acadêmicos da Esquerda Falante, significa lutar 24 horas por dia para voltar ao poder ou, no caso atual, libertar o chefe da quadrilha inserido no contexto carcerário.

Eles jamais vão entender que o ódio das pessoas comuns não se volta contra os pobres, que sempre estarão conosco, nem contra os miseráveis, que merecem compaixão e precisam de caridade. Nosso ódio se volta contra os bandidos, contra os corruptos, contra aqueles que se aproveitam da tragédia nacional para auferir lucros políticos e dividendos ideológicos contabilizáveis pelas urnas eletrônicas. É muito amor... ao poder.

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