O Woody Allen londrinense
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Paulo Briguet 
Desde o primeiro momento em que vi André Simões, pensei comigo mesmo: "Eis um escritor". Nossa primeira conversa aconteceu há 12 anos, no antigo sebo do Fakir, no Centro Comercial, e o assunto principal foi cinema - especialmente, os filmes de Woody Allen. Hoje o André lança em Londrina o seu segundo livro, "23 minutos contados no relógio". O primeiro, "A Arte de Tomar um Café", tive a honra de prefaciar. Agora, tive a honra de entrevistá-lo. Conheçam, leiam e admirem o escritor André Simões, nosso Woody Allen das letras londrinenses. (Ah, e leiam a entrevista completa no portal da Folha).
Avenida Paraná: Foi a cidade que fez você virar escritor?
André Simões: Minha visão de mundo é totalmente urbana. Engraçado que algumas das minhas referências artísticas, mesmo morando em grandes cidades, notoriamente gostavam de mato, de bichos: Tom Jobim, Rubem Braga, aí em Londrina o Pellegrini... Eu não, eu gosto de elevadores e estabelecimentos 24 horas. Nasci em São Paulo, moro desde 2013 em São Paulo, adoro São Paulo, não pretendo sair daqui. Mas sou londrinense, não há o que se possa fazer quanto a isso. Toda a minha formação é londrinense (morei em Londrina de 1988 a 2010, nasci em 1985), minhas referências são londrinenses, meus sonhos são londrinenses, minhas amizades longevas foram quase todas feitas em Londrina. Se penso num personagem característico (um professor carrasco, uma femme fatale, um bebum folclórico), meus modelos invariavelmente vêm de Londrina. Então certamente devo a Londrina minha forma de produzir e meu modo de ser, de maneira geral. Acho que a coisa de escrever, para mim, vem muito da timidez. Aquela sensação, tantas vezes repetida, de não saber o que dizer numa conversa... Aí você vai para casa, pensa, "mas eu poderia ter dito isso!", e imagina como seriam as réplicas, tréplicas. Às vezes, esses dissabores do cotidiano podem ser consertados por meio da fantasia.

Quais são as suas grandes influências literárias?
Minhas influências literárias são amplas, e frequentemente não vêm de escritores em sentido mais estrito. A canção popular e o cinema, principalmente, influenciam muito meu modo de escrever. Woody Allen, Ingmar Bergman, Cole Porter e Chico Buarque (o cancionista, não o romancista) são influências tão grandes em mim quanto Cortázar, Rubem Braga, Carlos Heitor Cony, Nelson Rodrigues, Vinicius de Moraes - para citar alguns nomes dos quais conheço as obras com profundidade.
O que é que o Dimas, seu grande personagem, falaria sobre esse livro?
Mostrei a Dimas o original do "23 Minutos Contados no Relógio", livro em que ele desponta como protagonista da maior história. Ele é que deu ao livro a definição "contos de sexo, morte e fantasia embebidos em humor cínico". Gostei e adotei.
Serviço - Lançamento do livro "23 minutos contados do relógio", de André Simões. Hoje (18 de outubro), às 19h23, no Sesc Cadeião (Rua Sergipe, 52).


