O último suspiro da esquerda

O paciente terminal passa por cinco fases: 1) negação; 2) raiva; 3) barganha; 4) depressão; e 5) aceitação. É exatamente o que tem acontecido com a esquerda brasileira, no ocaso da era petista.
A primeira fase foi a da negação. Negaram a existência do Petrolão. Negaram que o país estivesse quebrado. Negaram que uma organização criminosa dominara o Estado. Negaram que soubessem de qualquer coisa. Mesmo depois das maiores manifestações da história nacional, negaram que haveria impeachment. "Não vai ter golpe!"
Mas a negação nada pode diante da estrutura da realidade.
A segunda fase foi a da raiva. Disseram que Sérgio Moro era um agente do imperialismo, a serviço dos ianques. Disseram que tudo era armação do Cunha. Disseram que a Lava Jato iria acabar depois do impeachment. Invadiram escolas e universidades. Fizeram greves. Queimaram pneus. Saíram às ruas, vestidos de vermelho. Promoveram quebra-quebras e arruaças.
Mas a raiva nada pode diante da estrutura da realidade.
Atualmente estamos na terceira fase. A da barganha. Como o povo rejeitou a esquerda nas urnas, transformou o PT em partido nanico e rechaçou amplamente os neopetistas do PSOL, é hora de arrumar um plano B. Pegam uma candidata ambientalista, bem cotada nos círculos intelectuais chiques e amada pelas celebridades falantes da mídia. Pintam de verde a estrelinha por tantos anos vermelha. Conseguem o apoio e a simpatia de fundações internacionais poderosíssimas e riquíssimas, divulgam com grande alarde uma pesquisa eleitoral e torcem para o povo acreditar. Caiu na Rede, é peixe!
Na verdade, esse plano B é uma tentativa de barganhar com a estrutura da realidade.
Bismarck disse: "O nacionalismo é o último refúgio dos canalhas". Poderíamos parafraseá-lo e afirmar: O ambientalismo é o último refúgio da esquerda. (Ressalvando o fato de que nem todos os esquerdistas são canalhas, só os mais "empoderados".) Acresça-se o fato de que as grandes fundações e os financistas internacionais tendem a se tornar os maiores financiadores da esquerda, agora que aparentemente secou a fonte das empreiteiras.
O escritor Flávio Quintela comentou as recentes pesquisas que colocam a antiga candidata melancia (verde por fora e vermelha por dentro) como favorita à sucessão presidencial: "Se você pegar um macaco e colocá-lo em frente a um teclado, a chance de ele bater aleatoriamente nas teclas e acabar escrevendo um capítulo de Crime e Castigo é maior do que a chance de [certo instituto] acertar uma pesquisa".
Na verdade, o que vimos nas recentes pesquisas eleitorais foi uma simulação de confrontos entre os zumbis da política, almas mortas que não perderam toda a capacidade de enganar o povo: Lula, Aécio, Marina, Alckmin, Serra e assemelhados. O tempo desses caras acabou, será que não deu pra notar?
Essa fase também passará, porque a estrutura da realidade é mais forte. Em breve, teremos a depressão e, finalmente, a aceitação. Talvez até mesmo a esquerda brasileira seja capaz de compreender o óbvio.
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