O triunfo do pequeno guerreiro
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terça-feira, 09 de agosto de 2016
por Paulo Briguet 

Este Dia dos Pais terá um significado especial para meu casal de amigos Alisson e Lílian Sanches. No domingo, dia 14, eles farão uma festa de aniversário para os dois filhos, Murilo (3 anos) e Heitor (1 ano). Nos primeiros 45 dias do Heitor, Alisson e Lílian viveram o drama da luta do pequeno guerreiro pela sobrevivência.
Heitor nasceu no dia 4 de agosto de 2015, no Hospital Evangélico de Londrina. Logo após o parto, o bebê apresentou dificuldades respiratórias e foi diagnosticado com hérnia diafragmática congênita. Trata-se de uma rara e grave anomalia em que o músculo do diafragma, que separa o tórax e o abdômen, apresenta uma falha, fazendo com que o estômago, o fígado e os intestinos pressionem o coração e os pulmões da criança.
Com apenas 24 horas de vida, Heitor precisou passar por uma cirurgia de alto risco, realizada pelos médicos Reinaldo Kuwahara e Andrea Caroline Boszczowski. Felizmente, a operação transcorreu bem. Quando Lílian viu a Dra. Andrea, após seis horas e meia de cirurgia, caiu em prantos: elas eram vizinhas e colegas de infância.
Heitor permaneceu 45 dias na UTI pediátrica do Evangélico. Tempo necessário para que os seus pequenos pulmões se reabilitassem; tempo suficiente para cativar todos os funcionários do hospital com graça e força.
A combinação entre fé e ciência foi fundamental para que o Heitor vencesse as diversas etapas de recuperação. Houve momentos terríveis, como no dia 17 de agosto, quando foi constatada uma infecção pulmonar, ou ainda no dia 23 de agosto, quando Alisson viu o filho sendo retirado da incubadora e acreditou que o pior havia acontecido. Meu amigo rezava todos os dias na Catedral de Londrina. Com a força da oração, pôde suportar a cena de Heitor deitado de bruços na UTI, incrivelmente parecido com o menino curdo morto numa praia da Turquia.
No dia 12 de setembro, Lílian fez aniversário e Heitor saiu do tubo de oxigênio. Mas minha amiga receberia o melhor presente três dias depois, quando pela primeira vez pode pegar o filho no colo. "Foi um momento mágico, pois ali escutamos o choro do Heitor pela primeira vez", relembra Alisson. "Antes, só ouvíamos a voz dele em sonhos."
Quando Heitor recebeu alta da UTI, no dia 18 de setembro, as enfermeiras lhe fizeram uma emocionante homenagem. O carinho da equipe que cuidou do pequeno lutador jamais será esquecido por meus amigos; são gestos que permanecem.
No dia 29 de setembro, Murilo finalmente pôde conhecer o irmão que "tava no pital". Deu-lhe um abraço e quis levá-lo para casa o que realmente aconteceu no dia seguinte. "Murilo nos deu muita força nos piores momentos", conta Alisson.
Felizes e cheios de vida, os irmãozinhos vão agora fazer juntos uma festa de aniversário no Dia dos Pais. Murilo quer dizer "forte como um muro"; Heitor significa "aquele que guarda". Alisson e Lílian têm fortes motivos para festejar a vida destes meninos corajosos. Hoje, como forma de agradecer a Deus pelo dom da vida, meus amigos ajudam pais que enfrentam situações semelhantes.
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