Imagem ilustrativa da imagem O porteiro do coração de Londrina
| Foto: Divulgação/Acil




"Londrina cidade de braços abertos/ A todos os filhos do nosso Brasil..."
(Hino Municipal)

A cidade recebeu com tristeza a notícia do falecimento de Luciano Ferreira Durães, o porteiro do Edifício Palácio do Comércio. Seu Luciano, como todos o chamavam, deixou-nos neste domingo, Dia de Reis, aos 81 anos. Conhecia-o há duas décadas; nos quatro anos em que trabalhei como assessor de imprensa na Acil, via-o todos os dias. Sempre de terno e gravata, Seu Luciano era a simpatia em pessoa. Nascido em 1937, tinha a mesma idade da Acil e quase a mesma idade de Londrina. Com seu trabalho, ele personificava uma das principais qualidades do povo londrinense: o espírito acolhedor.

Na escadaria do Palácio do Comércio, há uma placa com os seguintes dizeres:

"Aqui são bem-vindos os que sonham fazer.
E que fazem o que sonham."


Os pioneiros de Londrina sonharam fazer uma civilização no Sertão paranaense. Seu Luciano era uma prova de que esse sonho se realizou. Todos os dias, ao lado da estátua do Mercúrio, ele zelava pelo espaço histórico onde David Dequech e seus companheiros ergueram, nos anos 40, o prédio mais bonito do Sertão (a antiga sede da Associação Comercial) e, antes disso, foi o primeiro endereço do Colégio Mãe de Deus, na época uma pequena casa de madeira.

"Aqui são bem-vindos os que pensam a cidade.
E que pensam na cidade."


Mesmo nascido em Corinto (MG), Seu Luciano era o típico pé-vermelho. Estava na cidade há 57 anos e a conhecia como a palma da mão. Bem o sabe Everson Ferreira, que ainda menino trabalhava em uma loja do centro, e contou com o inestimável apoio do porteiro. "Eu não sabia nem andar no meu quintal e fui trabalhar como entregador. De cada dez entregas, Seu Luciano me ensinava o caminho em pelo menos nove!"

"Aqui são bem-vindos os que trabalham e amam.
E que amam o trabalho."

Apesar de seu famoso bordão - "Detesto segunda-feira!" -, Seu Luciano amava o trabalho como poucos. Mesmo aposentado há vários anos, fazia questão de marcar presença na portaria do Palácio do Comércio, com uma assiduidade apenas comparável à do Mercúrio. Mas o Mercúrio não tinha a memória tão boa.

"Aqui são bem-vindos os que lutam e os que acreditam.
E que acreditam na luta."


A luta do Seu Luciano era a luta cotidiana dos trabalhadores brasileiros: acordar cedo, assumir responsabilidades, ajudar o próximo, fazer parte da solução e não do problema, colaborar para o bem comum e, depois, dormir o sono dos justos.

"Aqui são bem-vindos os que fazem bem.
E os que fazem o bem."


Fazer bem e fazer o bem, no fundo, é a mesma coisa. Seu Luciano era competente no que fazia, e justamente por isso ganhou a admiração e o carinho de tantas pessoas. Além de porteiro, ele também exercia outras artes. "Cortei muitas vezes o cabelo com ele, no Bairro Cervejaria", diz Antonio Carlos Viana. "Tocava e ensinava violão, uma pessoa especialíssima."

"Você está no coração de Londrina."

Agora, São Pedro vai poder descansar um pouco. Chegou um substituto para ele na portaria do Céu.

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