Londrina é uma terra de peregrinos. Desde os tempos pioneiros, a cidade tem uma vocação única para acolher todos os que aqui chegam dispostos a trabalhar e fazer o bem. A palavra "peregrino" tem origem na fusão dos termos latinos "per" (através) e "ager" (campo). Peregrino vem a ser todo aquele que viaja pelos campos com destino a um lugar sagrado, onde a vida pode recomeçar.

Não por acaso, o nosso principal escritor se chama Domingos Pellegrini. Fiel ao significado original do sobrenome, Domingos tem sido, desde o lançamento de seu primeiro livro (há exatos 40 anos), o contador das histórias da nossa gente e da nossa terra. Em romances, contos, crônicas e poemas, o peregrino das palavras faz uma viagem pela alma do povo londrinense, elevando-o, por vezes, à categoria do universal.

Londrina seria apenas uma cidade grande, e não uma grande cidade, se não tivesse uma história emocionante e real para contar. Sempre que um visitante revela interessa em conhecer melhor Londrina, eu lhe entrego nas mãos o romance épico "Terra Vermelha", principal obra de Domingos Pellegrini. Esse livro é tão importante para Londrina quanto "O Tempo e o Vento", de Érico Veríssimo, para o Rio Grande do Sul, ou quanto os romances de Dickens e Dostoiévski para as antigas Londres e São Petersburgo. Nas páginas de "Terra Vermelha", encontramos o DNA do "Homo londrinensis".

Nesta Páscoa, os leitores da Folha de Londrina receberam um presente: o jornal voltou a publicar semanalmente uma crônica de Domingos Pellegrini. São dois símbolos da cidade — o jornal e o escritor — unidos mais uma vez. No momento em que assume o posto de maior jornal do Paraná, a Folha faz por merecer o título.

Costumo dizer que já morava em Londrina antes mesmo de conhecer a cidade, porque minha alma sempre se sentiu estrangeira longe daqui. De modo parecido, conheci os personagens de "Terra Vermelha" — José e Tiana, Gracia, Zé do Cano, Góis, Mané Felinto, João Português, Jeofrey... — bem antes de me tornar amigo do autor e conhecer sua generosidade pessoal.

Para mim, os personagens do Domingos são tão reais que sinto saudade deles, e de vez em quando aparecem em meus sonhos e devaneios... O mesmo se dá com o eletricista 50 Volts (que nome de personagem!), do conto "A maior ponte do mundo", e com o protagonista de "Carlitos perdeu a graça". Às vezes, estou na rua e penso: "O homem que acabou de passar é parecido com o Seo Celso". Ou então: "Será que aquela é a árvore que dava dinheiro?"

Abri hoje o exemplar de "Terra Vermelha" que dei de presente à minha amada Rosângela antes de nos casarmos, há dez anos, e li a dedicatória na folha de rosto: "Que o nosso amor seja tão forte e bonito quanto o de José e Tiana". Um pouco adiante, releio a epígrafe, do Caderno de Poesia de Vó Tiana:

Imagem ilustrativa da imagem O peregrino das palavras
| Foto: Marcos Zanutto/25-10-2016



"Põe na mão, olha bem, olha
e sabe por que então
essa terra é assim vermelha?
É vermelha de paixão!"

Não é só poesia, é verdade. Ainda bem que o peregrino das palavras continua caminhando ao nosso lado!

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