Domingo foi Pentecostes. A data celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, depois da ascensão de Jesus aos céus. Como se sabe, os discípulos de Cristo eram homens simples, trabalhadores de pouca instrução. Reunidos no cenáculo de Jerusalém para a festa judaica de Pentecostes, os pescadores galileus começaram milagrosamente a se comunicar com fiéis vindos de todas as partes conhecidas do mundo antigo. Assim narra São Lucas, autor do Livro dos Atos:

"Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!"

Sempre que leio essa passagem bíblica, penso nos primeiros anos da colonização de Londrina. Aqui também, no antigo Sertão do Guayrá, realizou-se um pequeno milagre de Pentecostes: pessoas vindas de diversas partes do mundo, com culturas e idiomas diferentes, conseguiram encontrar uma linguagem comum para a construção da cidade que tanto amamos.

Imagem ilustrativa da imagem O Pentecostes de Londrina
| Foto: Shutterstock



Um álbum de Londrina, publicado em 1938, mostra a presença de 33 etnias, vindas de todos os continentes. Para se ter uma ideia da diversidade que marcou os primeiros tempos, basta dizer que, dos três primeiros presidentes da Associação Comercial, um era libanês (David Dequêch) e um era negro (João Alfredo de Menezes). Esse espírito de acolhimento é celebrado nos primeiros versos do Hino da Cidade: "Londrina, cidade de braços abertos/ A todos os filhos do nosso Brasil/ E a todos aqueles de pátrias distantes,/ Que aqui, confiantes, sob um pálio anil/ Seu lar construíram e aos filhos se uniram,/ E aos filhos se uniram do nosso Brasil!"

Que o Espírito de Pentecostes continue a inspirar Londrina com seus sete dons: piedade, temor de Deus, fortaleza, conselho, ciência, entendimento e sabedoria. Deus é a unidade na diversidade.

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